Aposentados e pensionistas que foram vítimas da quadrilha que descontou indevidamente valores de seus benefícios aguardam com muita expectativa o plano de ressarcimento que o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) apresentará até a semana que vem.

O governo federal precisa enfrentar esse escândalo com firmeza. O caso gerou uma crise que derrubou o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi. Deputados e senadores de oposição se mobilizam para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar as fraudes que, segundo a Polícia Federal, passam de R$ 6 bilhões.

A informação sobre o plano de ressarcimento foi passada nesta segunda-feira (5) pelo novo presidente da autarquia, Gilberto Waller Júnior. Durante a entrevista, ele destacou que o presidente Lula determinou que a devolução dos valores seja feita "o mais rápido possível". Atualmente, o projeto está em fase de discussão interna com a Casa Civil e envolve a participação de órgãos como Supremo Tribunal Federal, Conselho Nacional de Justiça e Ministério Público Federal.

Waller Júnior afirmou ainda que o processo de devolução será feito sem burocracia e sem custo adicional para os beneficiários e alertou os segurados sobre possíveis golpes relacionados à devolução dos valores.

A fraude começou em 2019 e, segundo a PF, 11 associações e entidades cadastravam indevidamente aposentados e pensionistas e passavam a aplicar descontos em seus benefícios diretamente da folha de pagamentos.

Esse esquema criminoso é uma afronta a milhões de brasileiros que pagaram a Previdência por anos e viram parte de suas aposentadorias serem subtraídas por entidades desconhecidas, sem qualquer autorização formal. Muitas das vítimas são da área rural e têm dificuldades de acesso a canais digitais e nem sabiam como contestar os débitos.

Esse esquema de fraudes deixa evidente uma falha nos mecanismos de controle do INSS. Não é possível que esse artifício volte a ocorrer de forma silenciosa e ardilosa, corroendo o orçamento doméstico e a confiança do brasileiro no sistema previdenciário.

O poder público deve agir com urgência, punindo os responsáveis, fortalecendo os mecanismos de controle do INSS e investindo em programas de inclusão digital e educação financeira voltados à terceira idade. O acesso à informação é a melhor defesa contra esse tipo de golpe.

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