Fraternidade e educação - Paulo Bernardo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de fevereiro de 1998
Paulo Bernardo 
A Conferência Nacional dos Bispos (CNBB) lançou no último dia 24 a Campanha da Fraternidade de 98. O tema da campanha deste ano é Fraternidade e Educação e o lema A Serviço da Vida e da Esperança. O seu objetivo, como ocorre todos os anos, é chamar a atenção da sociedade e dos governantes para temas importantes que a Igreja Católica julga que não estão recebendo a atenção merecida.
Uma das grandes constatações da Campanha é o fato de que os recursos que deveriam ser destinados à educação, em especial pelo governo federal, são insuficientes para atender as reais necessidades e mal aplicados. E esta constatação da CNBB é confirmada pelos dados que obtivemos a partir do acompanhamento da execução orçamentária do governo federal. De 95 para 96, os gastos com educação e cultura caíram cerca de 12%. Em 97, as despesas se mantiveram no mesmo patamar do ano anterior. Na realidade, os recursos destinados à educação têm sido reduzidos pelo atual governo, apesar das grandes campanhas de propaganda que o Ministério da Educação tem realizado.
Mas, além da falta de recursos, a Campanha da Fraternidade também se preocupa com a qualidade do ensino que é oferecido aos brasileiros. Acertadamente, a CNBB considera que não basta que todas as crianças estejam na escola se esta escola não as ensina. É preciso interferir na relação ensino-aprendizagem que ocorre dentro da sala de aula e proporcionar uma maior valorização dos professores. Salários dignos e cursos de formação e atualização profissional são imprescindíveis.
É inadmissível que vivamos em um país onde mais de 30 milhões de pessoas sejam analfabetas e milhões de reais são destinados ao salvamento de bancos ou ao pagamento de juros a banqueiros e especuladores nacionais e internacionais. É importante salientar que estas pessoas são analfabetas não porque querem, mas sim porque as condições para sua aprendizagem não lhe são dadas. Existem exemplos fantásticos por este Brasil afora.
Em Porto Alegre, por exemplo, a deputada Esther Grossi, do Partido dos Trabalhadores, coordena um programa onde foram alfabetizadas centenas de mulheres adultas em um período inferior a um ano. Em Brasília, o governo do PT inovou com a criação da bolsa-escola. Durante as eleições municipais em 96, propusemos programa semelhante para Londrina, com objetivo de colocar na escola todas as crianças de 7 a 14 anos, contribuindo com um salário por mês para suas famílias, para que as crianças não precisem trabalhar para ajudar na renda familiar.
Os programas desenvolvidos pelos governos petistas têm sido um completo sucesso, demonstrando que é possível solucionar o problema do analfabetismo, seja combatendo o existente ou evitando que este aumente, com um pouco mais de vontade política e menos preocupação com os holofotes da mídia.
É esta a preocupação, de solução efetiva dos problemas da educação no Brasil, que move a Campanha da Fraternidade. Como todas as campanhas anteriores, a CNBB busca movimentar a sociedade brasileira para que situações degradantes como o analfabetismo não continuem a existir em solo brasileiro. São com iniciativas deste tipo e uma grande dose de pressão por parte de todos que conseguiremos colocar os recursos necessários e de forma adequada neste setor fundamental para desenvolvimento nacional. Fraternidade e Educação: A serviço da Vida e da Esperança é o que buscamos.


