A crise imposta no mercado de carne bovina com o advento da vaca louca, já fartamente desmentida no mercado, causou prejuízo aos pecuaristas brasileiros. Porém, os efeitos colaterais impostos à cadeia produtiva na pecuária de corte brasileira acabaram beneficiando, e muito, a avicultura e a suinocultura brasileira.
A melhor performance verificada no decorrer de 12 meses nas exportações brasileiras provenientes de nossa avicultura, atingiu aproximadamente US$ 670 milhões. Com a crise da vaca louca e, mais recentemente, com a aftosa instaurada em muitos países, a carne de frango e a carne suína passaram a ser vedetes no mercado consumidor.
Para que tenhamos uma noção do crescimento, as exportações no mês passado atingiram 106 mil toneladas, projetando um faturamento no mês de US$ 109 milhões. Como detalhe, os países árabes adquirem o nosso frango inteiro e os demais mercados, em sua maioria, compram os produtos denominados de cortes, ou seja, escolhem o que querem consumir.
O Brasil é o segundo colocado no mercado mundial de frangos com uma participação de 17%, sendo suplantado somente pelos EUA, ficando à frente do Mercado Comum Europeu. A ‘‘moral’’ do frango brasileiro é muito elevada, pois é considerado um produto saudável, sem qualquer anomalia nos componentes de alimentação dos animais. O mercado conhece os produtos que consome na linha biológica.
É importante frisar que nem só a carne bovina sofre fiscalização. A carne de frango, bem como toda a nossa suinocultura, recebe frequentemente a visita dos importadores buscando sempre informações sobre a qualidade de nosso produto.
O plantio do milho e do soja, sem as mudanças biológicas impostas pelos produtos transgênicos, credencia o produto brasileiro como um concorrente de muita força no mercado mundial.
Por trás deste sucesso, temos que citar não somente o plantio de produtos naturais em nossa agricultura, mas sim um trabalho de base realizado em parceria por toda a rede produtiva de nossa avicultura.
As grandes indústrias possuem departamentos técnicos nas áreas de veterinária, nutrição, marketing e comercial, além de analistas de mercado. Essas indústrias estão à procura de verdadeiros parceiros. Investem no setor com uma tecnologia invejável, oferecendo ao produtor rural uma parceria na produção, objetivando dar um complemento de renda a este trabalhador.
Quando vemos números fantásticos como os obtidos em março e divulgados recentemente, temos que parabenizar a todos que estiveram envolvidos na cadeia produtiva, incluindo investimentos que vão desde o barracão simples, passando pelo auxílio dos ventiladores, pela manutenção dos comedouros, pelo tratamento da água, pela reposição alimentar diária, até atingir o carinho que a atividade impõe para ter sucesso. Um percurso que abrange desde a entrada dos pintainhos até a saída do frango, o qual está cantando de galo no mercado internacional.
O que dizer ainda das incertezas de faturamento que estiveram presentes nos últimos anos, com os aumentos nos custos de produção, principalmente da ração, energia e encargos sociais, sem nos esquecermos dos salários que tiveram ganhos reais, ainda que modestos, porém penosos à atividade?
Deve-se parabenizar toda a cadeia produtiva, desde os grandes empresários que investiram na atividade ao sofrido produtor rural que apostou em um rendimento extra pois, na atividade de avicultura, o frango não vai no cinema e muito menos na missa, tendo que comer de segunda a domingo para mostrar os resultados.
O mercado internacional conhece o trabalho em parceria. Também sabe que o produtor rural desta atividade não está com securitizações e dívidas a serem pagas. O que tem é compromisso de repor o investimento disponibilizado em sua propriedade de acordo com as engordas que realiza. Por isso, tem que se mostrar atento a todas as instruções dos industriais, pois qualquer cochilo nesta atividade pode ser fatal, indo desde o prejuízo naquela parceria que não dura mais que 60 dias até o rompimento total da parceria por falta de resultados.
Hoje, o mercado está satisfeito, mostrando resultados até então projetados somente em sonhos. Mais uma vez, o Brasil mostra a força do seu campo e a voluntariedade dos empresários que apostaram no setor, desde o pequeno produtor até o mais nobre industrial.
- PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista e assessor financeiro em Londrina
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www.afiplan.hpg.com.br

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