No final de novembro o papa Francisco divulgou a Exortação Apostólica "Evangelii Gaudium", por meio da qual deu um indicativo da Igreja Católica para os próximos anos. No texto, o pontífice convida todos para "recuperar a frescura original do Evangelho", conclamando a todos para procurar novas formas e métodos criativos de Evangelização. O papa explicou que é preciso uma reforma das estruturas eclesiais para que todos se tornem mais missionários.

O teor da exortação e os rumos da Igreja Católica são analisados, nesta entrevista, pelo professor Ivan Esperança Rocha, do Departamento de História da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus Assis, no interior paulista. Mestre em Ciências Bíblicas, Rocha é cofundador da Associação Brasileira de História das Religiões, é coordenador dos estudos antigos e medievais e possui cinco livros publicados. O professor voltou recentemente de uma viagem à Argentina, onde percorreu os locais em que o ex-bispo Jorge Mario Bergoglio, que se tornou o papa Francisco, frequentava.

Para Rocha, ainda não dá para dizer se a exortação resultará na maior reforma desde o Conselho Vaticano 2º, mas destacou que é um processo que se abre para um mundo mais plural, mais democrático. "A Igreja quer participar de uma dinâmica onde se entenda democracia, tenha essa liberdade, sem perder os valores evangélicos, senão ela se tornará uma ONG, que se responsabiliza por questões que antes não estavam sob seu crivo."


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