Fragilidade do sistema carcerário
Um levantamento preliminar realizado com base nos arquivos da Folha demonstrou que pelo menos sete rebeliões foram registradas entre abril de 2002 e abril deste ano em unidades prisionais do Estado. A mais recente foi na Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba. A cadeia com capacidade para 60 presos, abrigava 110. Revoltados, os internos atearam fogo em colchões e na estrutura acrílica que serve como telhado.
Em fevereiro, dez presos do minipresídio de Apucarana se rebelaram quando tomavam banho de sol no pátio da unidade. O tumulto ocorreu quando estavam sendo levados novamente para as celas. Com barras de ferros, eles tentaram render os policiais militares que fazem a vigilância do local. O minipresídio tem 80 vagas e abriga 125 presos. Também em fevereiro, mulheres do 9º Distrito Policial de Curitiba provocaram um princípio de rebelião, ao reclamar das péssimas condições provocadas pela superpopulação carcerária. O distrito com capacidade para 28 pessoas abrigava 74 mulheres.
As demais rebeliões foram registradas no ano passado. Em agosto, três presos tomaram um policial civil como refém em Andirá, no Norte do Estado. A rebelião somente foi controlada após a transferência de um detento para a cadeia de Cambará. Os detentos estavam armados com estoques. Eles destruíram o interior da carceragem com a quebra de vidros, cadeados e do circuito interno de câmeras.
Em Santo Antonio da Platina, quatro presos iniciaram uma rebelião em agosto do ano passado. Eles destruíram parte de uma das alas da delegacia e deixaram dois presos feridos. Os detentos rebelados serraram as grades da cela e soltaram outros presos. Depois, eles quebraram as lâmpadas e a câmera de monitoramento interno da delegacia. Os prejuízos somaram R$ 2 mil.
Em junho, presos do minipresídio de Campo Mourão trancaram as portas das grades da galeria A por dentro com barras de ferro e colocaram fogo em cobertores e colchões. Por causa do tumulto, os presos ficaram ''de castigo'' por dez dias. Em abril, dez presos de São João do Ivaí, município que fica 75 quilômetros de Apucarana, se rebelaram. Eles estouraram os cadeados das celas e ocuparam o corredor interno.





