O fortalecimento da família está associado a um amplo leque de resultados positivos, tanto para o casal quanto para os filhos, sejam crianças ou adultos. Este é um tema recorrente, adequado a uma reflexão domingueira, nestes tempos em que se avolumam a desestruturação familiar e os comportamentos anti-sociais da juventude. A questão tem preocupado uma nação poderosa, mas não familiarmente tão sólida: os Estados Unidos. É ali - a nação do liberalismo - onde se apregoa a necessidade de fortalecer o casamento. Porque mais da metade dos lares norte-americanos não é chefiada por casais casados. O Direito da Família tem de incentivar o matrimônio - declara a juíza-presidente da Suprema Corte da Geórgia, Leah Sears.
No Brasil, o número de casais solidamente unidos pelo casamento é maior que nos EUA, mas a informalidade matrimonial aumenta. O que ocorre com o trabalho informal (que tende a aumentar, segundo analistas), vai se manifestando também nas uniões entre casais. Não há um consenso quanto a maior ou menor solidez de um relacionamento a dois (com ou sem filhos), se casados legalmente ou vivem juntos sem registro em cartório. O ponto fundamental é se esses pares são ajustados ou desajustados, o que reflete na estrutura da família e diretamente sobre os filhos. Para aquela magistrada, ''construir uma cultura de casamento estável é uma preocupação legítima''.
O professor brasileiro Carlos Alberto Di Franco, consultor em Estratégia de Mídia, diz que crianças criadas fora do casamento estão mais propensas a abandonar a escola, a usar drogas e a envolver-se em violência. Curiosa é a conclusão do Child Trends, um instituto de pesquisa norte-americano: ''Têm maior propensão a ficarem pobres os filhos de famílias com um só dos pais; os filhos nascidos de mãe solteira; filhos criados na nova família de um dos pais (caso das separações); ou em relações de coabitação. Di Franco, estribado em sua experiência profissional, afirma categoricamente que a desestruturação da família está na raiz de muitos problemas.
O declínio da solidez das famílias é também problema de países ricos, como os EUA e a Inglaterra. A revista britânica ''The Expectator'' avalia que o desmonte familiar é que leva a estados de pobreza e ao aumento da violência. Ao contrário do que se pensa com relação ao Brasil: que a pobreza é que induza à desestruturação. Di Franco toca num dos pontos fundamentais do desatamento dos laços de família: a babá eletrônica. Leia-se a televisão. Ao que se acrescenta agora, de forma avassaladora, a internet. Esses veículos tomaram o lugar da unidade familiar. Se os órgãos públicos reguladores não impõem censuras - até porque parece impossível no caso da internet - o freio tem de ser imposto pelos pais. Custe o que custar e doa a quem doer. Uma família sadia parece, de fato, ser a melhor receita de paz.

mockup