Se as autoridades públicas denunciadas por corrupção buscam por todas as formas que seus julgamentos ocorram no denominado foro privilegiado, então, no entendimento comum dos cidadãos, essa instância do Poder Judiciário deve proporcionar algum privilégio a esses acusados.
Não se pode conceber que esse colegiado incumbido de julgar as denúncias envolvendo altas autoridades ganhe o nome de privilegiado, dando o sentido de privilegiador, por eventualmente favorecer gente do mesmo círculo, ou seja, quem contribuiu para a indicação dos membros dessa corte. Se isto não for verdade - a existência de favorecimentos - por que então a preferência por esse escalão da Justiça? Haveria, nesse reduto, um abrigo aos homens públicos mais poderosos, denunciados por irregularidades? Esta é uma questão intrigante, porque se há os que desejem tanto esse tribunal para julgá-los, indaga-se por que tal ocorre. Na própria comunidade judicial há quem critique essa instância.
Em Londrina, uma organização não-governamental - conforme publicação deste Jornal á- está recolhendo assinaturas em documento que será levado a Brasília pedindo o fim desse foro. O movimento, comandado pela socióloga Francisca Soares, tem participantes das áreas empresariais, da saúde e das ciências sociais. ''Este combate é um foco de resistência à impunidade'', ela declara. E mais, que ''o cidadão vê inúmeros casos de políticos que agiram contra a lei serem investigados pelo Congresso e dados como culpados, e no fim absolvidos em instância judicial superior. No imaginário popular, o que impera?''. A resposta é que, se isto for verdadeiro, impera a crise da lei e da ordem e instala-se um estado de anarquia.
Não é de hoje que ocorre essa busca pelo foro especial quando os acusados são figuras graúdas da vida pública e que tentam se livrar da Justiça comum, porque ali não haveria facilitações. Não se pode afirmar que elas existam nesse foro privilegiado, mas então falta explicar por que esses denunciados ''especiais'' o busque quando acabam no banco dos réus. Será um descalabro se justamente onde repousam ''deuses do Olimpo'' paire alguma desconfiança, porque eles deveriam estar acima de qualquer suspeita. Não são eles - em quem a sociedade confia como instância final á- que devem tomar a sábia decisão quando uma questão recorrente chega até a sua alçada? Porque, depois deles, só a sentença divina, no dizer das rodas do Direito. Inadmissível que esse foro esteja também sob suspeição.

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