Estudo feito pelo economista Márcio Poechmann, da Universidade Estadual de Campinas e publicado no jornal ''O Estado de S.Paulo'', mostra que o Brasil não está formando profissionais especializados na quantidade exigida pelo mercado de trabalho. O desemprego é grande, e isto ocorre também porque muita gente não tem qualificação alguma, e dessa forma é mais difícil encontrar ocupação, porque as empresas não admitem apenas por indicação - ao contrário do que acontece em funções da área oficial, onde predomina a contratação de parentes sem qualificação e amigos dos políticos e dos administradores públicos.
Por falta de especialização dos candidatos, e como as escolas não os fornecem com a suficiência necessária, as próprias empresas têm de cuidar de prepará-los. A pesquisa revela que essa escassez não existe apenas nas profissões de alta tecnologia, mas falta gente até para o comércio varejista e em atividade como a de açougueiro. O Sistema-S (Senai, Senac e outros) teve corte de verbas dos ministérios do Trabalho e da Educação e diminuiu o fornecimento de profissionais ao mercado. Quanto a isso, aquele jornal faz crítica ao Governo Lula que proclama a defesa do emprego mas permite que seja tomada medida como essa em área vital como a da formação profissional.
A crítica ainda é que as políticas de preparação de mão-de-obra não são articuladas entre si e por isso não atendem suficientemente às necessidades do mercado. Uma contradição porque de um lado está o desemprego e de outro a escassez de profissionais, por ausência de critérios públicos e educacionais adequados. Conforme opina aquele jornal paulista, sediado no maior centro industrial e comercial do Brasil (e onde há, também, o maior número de escolas de todo o gênero), ''está faltando um sistema de ensino público profissionalizante atento à evolução da economia e capaz de identificar os setores que crescem mais depressa do que os demais''.
Antes de definir quantas novas escolas profissionalizantes serão implantadas e quantas vagas serão abertas, o Governo deveria procurar saber de que tipo de profissionais o País precisa, agora e no futuro próximo. Porque hoje o que não é feito de forma completa nas escolas as empresas têm de fazer, que é ensinar muitos de seus trabalhadores. Percebe-se aí o descompasso entre a realidade e o que os governantes sabem a respeito.
Se é verdade que também profissionais qualificados em determinadas áreas têm dificuldade em encontrar trabalho (e também aí pode haver ausência de pesquisa de cada um na escolha da carreira), sem habilitação será pior. O alerta é não só para as instituições governamentais e as escolas públicas mas também para as particulares, que precisam obter e disponibilizar informações aos seus alunos sobre as necessidades atuais do mercado e as perspectivas futuras. Isto é também uma de suas funções.

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