Os resultados do primeiro Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) apontam para uma realidade que muitos educadores e médicos vinham alertando: a expansão dos cursos de medicina não veio acompanhada, em muitos casos, de qualidade acadêmica à altura da responsabilidade social que a profissão exige.

Segundo a pesquisa, o problema não é isolado e atinge instituições de ensino superior de todas as regiões do País. Dos 351 cursos avaliados, quase um terço ficou abaixo do patamar mínimo de proficiência. É um número alto demais para um país que enfrenta gargalos históricos na saúde pública e que deposita, nesses profissionais, decisões que envolvem vidas.

No Paraná, são três instituições com notas abaixo do estipulado como satisfatório pelo MEC (Ministério da Educação), conforme a FOLHA mostrou em reportagem nesta semana.

A partir da publicação dos dados, os cursos com nota insatisfatória e que pertencem ao Sistema Federal de Ensino, que inclui as universidades federais e as instituições privadas, passarão por um processo de supervisão em que podem ser adotadas medidas cautelares. Ao todo, são 99 cursos com baixo desempenho, a maioria concentrada na Região Sudeste (41 cursos, sendo 18 no Estado de São Paulo).

As instituições públicas estaduais, distritais e municipais não passam pelo processo, uma vez que são supervisionadas pelos respectivos conselhos e secretarias de educação locais.

Após a publicação dos resultados no Diário Oficial da União, esses 99 cursos terão 30 dias para apresentar a defesa ao MEC, antes que as sanções entrem em vigor. Após o prazo, as medidas valerão até a próxima aplicação do Enamed, prevista para outubro de 2026.

O Ministério da Educação acerta ao prever medidas de supervisão e sanções proporcionais ao risco ao interesse público. Redução de vagas, restrições ao Fies e acompanhamento mais próximo devem ser vistos como instrumentos de proteção coletiva. Formar médicos e outros profissionais da área da saúde é garantir que o egresso tenha competências clínicas, senso ético e preparo técnico compatíveis com a complexidade do SUS (Sistema Único de Saúde) e da medicina contemporânea.


Os resultados do Enamed e outros exames desse tipo não devem ser usados para estigmatizar estudantes ou regiões, e sim para orientar políticas públicas, corrigir rumos e, sobretudo, recolocar a formação médica no centro do interesse público.

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