Formação médica e interesse público
Pesquisa avaliou 351 cursos de medicina e o resultado apontou que um terço está abaixo do patamar mínimo de proficiência
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de janeiro de 2026
Pesquisa avaliou 351 cursos de medicina e o resultado apontou que um terço está abaixo do patamar mínimo de proficiência
Folha de Londrina 
Os resultados do primeiro Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) apontam para uma realidade que muitos educadores e médicos vinham alertando: a expansão dos cursos de medicina não veio acompanhada, em muitos casos, de qualidade acadêmica à altura da responsabilidade social que a profissão exige.
Segundo a pesquisa, o problema não é isolado e atinge instituições de ensino superior de todas as regiões do País. Dos 351 cursos avaliados, quase um terço ficou abaixo do patamar mínimo de proficiência. É um número alto demais para um país que enfrenta gargalos históricos na saúde pública e que deposita, nesses profissionais, decisões que envolvem vidas.
No Paraná, são três instituições com notas abaixo do estipulado como satisfatório pelo MEC (Ministério da Educação), conforme a FOLHA mostrou em reportagem nesta semana.
A partir da publicação dos dados, os cursos com nota insatisfatória e que pertencem ao Sistema Federal de Ensino, que inclui as universidades federais e as instituições privadas, passarão por um processo de supervisão em que podem ser adotadas medidas cautelares. Ao todo, são 99 cursos com baixo desempenho, a maioria concentrada na Região Sudeste (41 cursos, sendo 18 no Estado de São Paulo).
As instituições públicas estaduais, distritais e municipais não passam pelo processo, uma vez que são supervisionadas pelos respectivos conselhos e secretarias de educação locais.
Após a publicação dos resultados no Diário Oficial da União, esses 99 cursos terão 30 dias para apresentar a defesa ao MEC, antes que as sanções entrem em vigor. Após o prazo, as medidas valerão até a próxima aplicação do Enamed, prevista para outubro de 2026.
O Ministério da Educação acerta ao prever medidas de supervisão e sanções proporcionais ao risco ao interesse público. Redução de vagas, restrições ao Fies e acompanhamento mais próximo devem ser vistos como instrumentos de proteção coletiva. Formar médicos e outros profissionais da área da saúde é garantir que o egresso tenha competências clínicas, senso ético e preparo técnico compatíveis com a complexidade do SUS (Sistema Único de Saúde) e da medicina contemporânea.
Os resultados do Enamed e outros exames desse tipo não devem ser usados para estigmatizar estudantes ou regiões, e sim para orientar políticas públicas, corrigir rumos e, sobretudo, recolocar a formação médica no centro do interesse público.
Obrigado por ler a FOLHA!


