Não com discursos e lamentações, mas com ações eficazes. Só assim se alcançará conquistas para melhoria das coisas no Brasil. O que fizeram agora as lideranças do movimento ''De Olho no Imposto'' foi a coisa certa: reuniram em documento um milhão e meio de assinaturas e o entregaram ao presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros. O pedido é a regulamentação de parágrafo da Constituição, de modo a determinar medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidem sobre mercadorias e serviços. A campanha, realizada por entidades empresariais, sindicais e outras principalmente de São Paulo visa, por meio de estatuto legal, chamar a atenção da população para os impostos embutidos nos produtos e serviços que adquire. São tantos os volumes desse memorial que os papéis foram acondicionados em diversas grandes caixas. E com eles compareceram duzentos presidentes de associações, uma tão numerosa caravana de líderes que impressionou os parlamentares. Essa presença foi um dos pontos fundamentais para robustecer a reivindicação. O que ressalta, além da oportuna proposta, é justamente a forma de apresentá-la, ou seja, o comparecimento maciço de lideranças e uma substancial quantidade de assinaturas. Dessa maneira os reivindicantes criam um vigoroso campo de força. É assim que devem proceder as representações classistas e os próprios cidadãos, quando for o momento de reivindicar ou de manifestar seus pleitos de mudanças. Só pela forma da união e do comparecimento aos gabinetes governamentais é que se poderá alimentar esperanças de bons resultados. É um recurso pouco utilizado no Brasil, mas o único que pode produzir efeitos, porque os governantes agem mais rapidamente ante as pressões, e muito mais quando os movimentos assumem posições mais vigorosas e conseguem envolver a população. Não é propriamente a consciência acerca das necessidades nacionais e das classes, assim como dos cidadãos, mas é o risco de perder popularidade e de enfraquecer-se politicamente que levam os governos a se moverem. Se um comparecimento aos palácios e aos gabinetes parlamentares e ministeriais não resolver, será preciso empreender outro e tantos quantos forem necessários, porque é desse modo que as coisas funcionam. As lideranças paulistas partiram das palavras à ação, reunindo um robusto pacote de assinaturas e deslocando-se para o centro do poder, exatamente onde as coisas podem acontecer.

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