Forças superiores à venda da Copel
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de novembro de 2001
Aldemar Mascarenhas 
As forças do bem estão prevalecendo sobre as forças do mal, no caso da privatização da Copel. O que liminares e manifestações populares não conseguiram brecar, o destino se encarregou de fazer. De repente, quando o projeto da venda parecia estar consolidado, desapareceram os promitentes compradores. E a nossa gloriosa empresa continua fazendo parte dos ativos do Estado, que já não são muitos. Certamente o efeito terrorista do fundamentalista islâmico Osama bin Laden apesar de negativo para o mundo e toda a humanidade foi essencial para o recuo dos grupos que outrora postularam interesse na compra.
Ainda assim o governo do Paraná não desiste. E quer vendê-la, mesmo não havendo interessados. Será que o nosso governador não se deu conta de que a vontade dos mais de 98% dos paranaenses tem que ser respeitada?
A Copel já não é mais uma única empresa, foi dividida em cinco partes. As razões, não as conhecemos. Mas provavelmente vão privilegiar interesses que não são do povo paranaense. A venda da Copel atende apenas a uma obsessiva decisão de Jaime Lerner, que quer a privatização a qualquer custo. Este parece ser seu verdadeiro e grande objetivo.
Em países como os Estados Unidos, energia elétrica é questão de soberania nacional. Quem cuida do assunto é o próprio exército, visto que integra a segurança nacional. Ironicamente, no Brasil os governos se utilizam do produto para tapar rombos ocasionados pela má gestão administrativa.
Sabemos que o problema está no caixa do governo, onde a arrecadação tem sido inepta para cobrir o rombo como o da Paraná Previdência. E por aí afora. Tudo fruto de uma gestão incapaz de adequar o orçamento do Estado às necessidades prementes do seu povo.
Não é direito de um governador vender o patrimônio do Estado e, consequentemente, do povo do Paraná, sem a anuência dos seus legítimos donos. Sobretudo se a razão da venda é tapar buracos de orçamento, frutos de má gestão, como se estivesse vendendo um bem particular.
O rombo nas contas do governo estadual certamente é mais profundo do que se supõe. Pois onde foi parar o dinheiro das privatizações anteriores? Da Sanepar, que teve 45% da empresa vendida aos franceses? Onde estão os recursos da antecipação, por dez anos, dos royalties da binacional Itaipu, excepcionalmente concedidos pelo governo FHC? E do dinheiro adquirido junto ao Banco do Estado do Paraná e das rodovias privatizadas? Essas perguntas são de todos os paranaenses. E antes da possível privatização da Copel será preciso explicar aonde foram parar esses recursos. Infelizmente não há transparência na aplicação dessa verba, que pode até ter tido um direcionamento correto, mas o povo não foi devidamente informado.
O que realmente conhecemos são as dificuldades do governo em cumprir com suas obrigações. Principalmente no que tange à segurança, que se tornou um verdadeiro caos em nosso Estado porque é carente de investimentos para sua modernização, não atendendo as necessidades que a área exige.
Os cidadãos e as empresas que pagam tributos e que deveriam vê-los retornados em forma de benefícios para todos não têm tido a tranquilidade para desenvolver suas atividades profissionais. Os marginais estão soltos e a sociedade está enjaulada.
A saúde e a educação, bases para a formação do cidadão e que deveriam ter prioridade de tratamento, estão em estado decadencial, carentes de recursos. Pessoas aguardam por atendimento nos hospitais e postos de saúde enquanto servidores legitimamente insatisfeitos protestam fazendo greves e mais greves.
Com a venda da Copel, mesmo por partes, o que restará ao Estado? As águas do Rio Iguaçu? E quem sabe, daqui a pouco, até esta poderá estar sendo engarrafada e vendida ao Chile para irrigar o deserto do Atacama!
Administrar o alheio é responsabilidade ''pra mais de metro'', como desde pequeno aprendi com o meu velho e saudoso pai. Ele ensinava que com a coisa alheia não se brinca, principalmente quando ela está sob a nossa responsabilidade. Este ensinamento precisa ser transmitido ao nosso excelentíssimo governador: a atenção e os cuidados com o patrimônio alheio devem ser redobrados em relação aos cuidados que temos com nossos próprios bens.
- ALDEMAR MASCARENHAS é presidente do Sindicato dos Empresários Lotéricos do Paraná e vice-presidente da Federação Nacional dos Lotéricos (Fenal)


