A chacina de Guaíra é consequência, porque a causa está no despoliciamento das fronteiras por onde passam drogas, armas e contrabando de toda a espécie. O brutal assassinato de quinze pessoas, para vingar uma morte anterior, é mais um morticínio do gênero que ocorre no universo do tráfico e outros negócios ilícitos. Que não pode por isso ser minimizado, mas é inerente a razões idênticas do que ocorre - como exemplo mais comum - nas favelas cariocas dominadas pelo crime organizado.
Será gastar fôlego de pouco proveito ater-se, agora, apenas a detalhes da investigação e prisão dos assassinos. Chacina e extermínios isolados, aqui e ali - motivados principalmente pelo tráfico de drogas - que têm se tornado frequentes. Este Jornal tem sugerido inúmeras vezes que se use as Forças Armadas - como único recurso de grande peso de que a nação dispõe - para policiar as fronteiras, porque fora desse esquema não há salvação.
O Exército disponibiliza de efetivos preparados para essas missões, porque treinados para táticas de guerra. Essas forças de segurança já atuam em áreas fronteiriças mas não com a intensidade desejada. O desfecho de um vigoroso combate eliminaria grandemente o problema. Episódios como o que acaba de ocorrer e os tantos assassinados pela mesma razão, diminuiriam, mas - muito mais que isso - seria contido o dano maior causado às pessoas, especialmente os jovens, pela disseminação e consumo de drogas. Também seria posto um freio à entrada clandestina de armamento (que serve às grandes corporações criminosas e à bandidagem em geral) e de mercadorias contrabandeadas.
A missão das Forças Armadas é garantir a salvaguarda das instituições e a soberania nacional, proteger a nação contra invasões ao seu território, contra a depredação de bens naturais e do patrimônio instalado, mas também dar cobertura à população em casos que possam afetar os negócios lícitos e a própria integridade coletiva. A ausência de litígios bélicos no Brasil enseja que esse poder armado reveja sua filosofia de segurança nacional e deflagre uma batalha nas fronteiras.
A tragédia de Guaíra, mesmo que envolva de parte a parte gente implicada com tráficos ilegais, deve servir como mais um alerta para mobilização dessa poderosa força de segurança. Porque é fato real o tamanho descomunal das ilicitudes, nessa faixa, e que se espraiam pelos centros urbanos expondo a população ao perigo.

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