Força-tarefa da Lava Jato chega a Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está próximo de se tornar réu na Operação Lava Jato e a denúncia oferecida ontem pelo Ministério Público Federal (MPF) ainda coloca o petista como "comandante máximo" do esquema de corrupção criado dentro da Petrobras. A mulher de Lula, Marisa Letícia, e outras seis pessoas também foram denunciadas por conta do caso "tríplex do Guarujá". Os outros denunciados são o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, o arquiteto e ex-executivo da empreiteira Paulo Gordilho, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, o ex-executivo da OAS Agenor Franklin Magalhães Medeiro, o ex-presidente da OAS Investimentos Fábio Hori Yonamine e Roberto Moreira Ferreira, ligado à empreiteira. Depende da Justiça Federal a decisão de torná-los ou não réus por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. O desvio seria na ordem de R$ 87,6 milhões. O ex-presidente nega ser o proprietário do tríplex que pertencia à Cooperativa dos Bancários de São Paulo e depois foi adquirido pela OAS. Mas a Polícia Federal (PF) não tem dúvidas de que Lula é o verdadeiro dono do apartamento de luxo localizado de frente para a praia. O inquérito que vai cair nas mãos do juiz Sérgio Moro tem pelo menos uma dezena de testemunhas afirmando que o ex-presidente teria supervisionado pessoalmente as obras de reforma. Para a polícia, a construtora presenteou Lula e Marisa com o apartamento a famosa prática das "vantagens indevidas". As investigações ainda apontam que o tríplex recebeu uma decoração para lá de requintada, já que os móveis e eletrodomésticos usados para mobiliá-lo custaram R$ 1,1 milhão. A denúncia formalizada pelo MPF muda a ideia de que dentro da Lava Jato, Lula seria "apenas" beneficiário das regalias e propinas pagas pelas empreiteiras. Agora, ele aparece como o "general" e, certamente, caso a Justiça receba a denúncia, o desgaste político e a Lei da Ficha Limpa são as menores das preocupações do ex-presidente.





