Fora dos trilhos
Fracasso. Assim pode ser definido o leilão do trem de alta velocidade (TAV) ligando Campinas-São Paulo-Rio de Janeiro. Nenhum grupo se apresentou na concorrência realizada no início desta semana. Apesar disso, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) diz que o projeto será mantido, pois se trata de uma medida ''essencial para resolver o problema de transportes da região''.
Para a agência, não existe solução mais ''adequada''. Agora a ANTT pretende dividir a licitação em duas: um para decidir o modelo de tecnologia (coreano, japonês ou europeu) e outro para a construção da infraestrutura.
Não dá para negar que o trem é um meio de transporte confortável, seguro, rápido, previsível e competitivo, mas será que não é hora de fazer uma análise mais crítica e discutir se há realmente necessidade em se gastar tanto dinheiro em uma obra tão restrita?
Quando a proposta de colocar o TAV nos trilhos foi divulgada pela primeira vez, como parte integrante do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em 2008, o trem-bala custaria R$ 20 bilhões, com licitação marcada para 2009 e início das atividades previstas para 2014. Em julho de 2010, o preço já havia sido reajustado para R$ 33 bilhões e a inauguração transferida para 2016 - um aumento de 50% ainda na fase do edital, mais uma invenção brasileira.
Hoje há quem afirme que o custo total da obra ultrapasse os R$ 60 bilhões, e não deve ficar pronta nem para a Copa de 2014 nem para as Olimpíadas de 2016. A nova expectativa é de que entre em atividade em 2018, isso se o projeto conseguir atrair algum empresário.
Em um país em que faltam estradas asfaltadas e bem sinalizadas, ferrovias para o transporte de cargas e passageiros, redes maiores e mais eficientes de metrô nas grandes cidades, portos mais bem preparados, aeroportos funcionais e mais confortáveis, parece no mínimo inconveniente gastar tanto dinheiro em uma obra com abrangência tão reduzida - são apenas 500 quilômetros de extensão, passando por 40 municípios.
Este pode ser um momento propício para colocar os pés no chão e focar obras que realmente são necessárias para melhorar a infraestrutura de transportes do País.





