Fora do emprego não há salvação
Com toda certeza, quanto mais estruturada for a família, menor será a possibilidade de os filhos ingressarem na criminalidade. Essa óbvia conclusão é de autoridades públicas vinculadas ao combate à violência. É este o caminho, o de estruturar a família, mas é justamente esta a grande questão que envolve 40 milhões de brasileiros que vivem em estado de penúria. Estruturar a família significa resolver quase totalmente o problema dos atentados contra o patrimônio alheio, contra o comércio formiguinha das drogas, contra os assassinatos. Mas como estruturar a família? Pelo emprego e pela obtenção de renda dos chefes de família e dos adultos desse agrupamento. Apenas dizer que a fórmula é estruturar a família, sem indicar os meios, é como nada sugerir. Toda a família que está insegura e desarticulada é por uma razão simplíssima: casa onde não tem pão todos gritam e ninguém tem razão. Exigir que os pais de famílias em tais condições imponham limites aos filhos soa como gracejo de quem está longe de entender os dramas humanos. Se os filhos de famílias miseráveis vivem mais na rua que em casa casa que não é lar onde os pais são tão atormentados quanto os filhos, não há condições de impor freios. Só falta sugerir que esses meninos desviados sejam encaminhados para refinados educandários, e assim aprenderão boas maneiras, uma delas não roubar, não comercializar e usar drogas e não matar. Natural que a família é fundamental no combate ao crime, mas... que família? O que se entende como família? Não é certamente um amontoado de pessoas miseráveis, fazendo ponto de concentração no casebre que desmorona com a primeira chuva, onde falta água e falta luz e falta comida e falta o mínimo conforto. E, naturalmente, falta dignidade, que não é possível acontecer em tal situação. Para estruturar uma família há que haver moradia decente, comida à mesa e poder de compra das necessidades básicas, e isto só se obtém com dinheiro, que só se ganha mediante emprego. Ou o poder público banca a pobreza e mantém o assistencialismo, o que é impossível e, em dado momento, chegará ao ponto de exaustão. O longo caminho trilha pela adoção de políticas públicas de desenvolvimento econômico, que abram vagas de trabalho, ou a sociedade organizar-se e empregar cada empresa um mesmo que não tenha necessidade. Diminuir os roubos e os assaltos pela ação policial será apenas um fenômeno temporário, porque ninguém detém uma pessoa que passa privações e que precisa de comida, de remédio e do conforto básico para viver em outras palavras, sobreviver. Sobrevivência é quase a morte, é o limite da condição humana. Por trás de um delinqüente (afora o de colarinho branco) sempre há um sem-dinheiro, um famélico. Por isso que fora do emprego não há salvação.





