Quatro anos e meio de vigência do novo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não foram suficientes para as 930 lombadas espalhadas pelas ruas de Londrina serem adaptação às determinações da atual legislação de trânsito. Quase todos os redutores de velocidade dispostos pela cidade estão em desacordo às especificações técnicas dispostas na resolução nº 39 do Conselho Nacional de Trânsito (Contram), de 21 de maio de 1998. Pelo código, a manutenção dos quebra-molas irregulares é punível com multa, e pode resultar em ações judiciais.
''Existem lombadas de todo o tipo nas ruas de Londrina, quase todas fora das especificações técnicas exigidas pela resolução'', afirma o engenheiro civil Mario Stamm Júnior, professor de transportes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e ex-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul).
Em março de 1999, quando Stamm ainda estava à frente do Ippul, as lombadas de Londrina foram contadas. Na época, eram 945. A estimativa era de que a cidade tivesse a maior relação quebra-molas/veículo do País. Hoje, pouco mudou. ''É um instrumento importante para o controle de velocidade nas ruas da cidade, mas pelo código deveriam seguir as especificações legais'', diz o professor.
A resolução especifica que redutores de velocidade, quando necessários, devem ser de dois tipos apenas. O primeiro, com 1,50 metros de comprimento e altura de até 8 centímetros, só pode ser instalado quando houver necessidade de serem desenvolvidas velocidades até um máximo de 20 km/h, em ruas onde não circulem linhas regulares de transporte coletivo.
O segundo modelo é um pouco mais largo. Precisa medir 3,70 metros e pode chegar até 10 centímetros de altura. São permitidos apenas em segmentos de rodovias que atravessam aglomerados urbanos e que estejam ladeadas por edificações, marginais, ou mesmo ruas da área urbana, quando houver necessidade de serem desenvolvidas velocidades de até 30km/h.
Ainda que a função das lombadas seja quase sempre nobre, visando proteger pedestres e evitar demais acidentes causados pelo excesso de velocidade, um passeio pelas vias de Londrina revela as infrações à resolução do Contram. Os redutores são facilmente vistos defronte aos portões de escolas e em diversas áreas residenciais.
O espaçamento entre os quebra-molas em ruas, que deve ser de 50 metros, e de cruzamentos, que deve obedecer 15 metros, estão entre as infrações mais comuns. A reportagem da Folha de Londrina contou seis lombadas em um trecho pouco maior do que 100 metros, na Rua Alfredo Battini, no Jardim San Remo. Já na região central, espalham-se as mini-lombadas colocadas em esquinas como a das ruas Belo Horizonte e Pará.
Trechos de grande declividade, como o em frente ao número 1.540 da Avenida Madre Leonia Milito, no Parque Guanabara, ou no cruzamento da Avenida Prefeito Faria Lima com Joaquim Nabuco, no Jardim Maringá, também tem lombadas, o que vai contra o limite de 6% de declividade estabelecido pelo Contram.

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