Antes, o estudante que precisava fazer uma pesquisa era obrigado a percorrer bibliotecas e buscar outras fontes de dados. Hoje, o acesso a informações para montar um trabalho escolar é muito mais fácil. Por outro lado, é grande o risco de se usar conceitos equivocados, que são disseminados indiscriminadamente na internet.

Uma fonte bastante utilizada é a Wikipédia (www.wikipedia.org.br), enciclopédia eletrônica construída com a colaboração dos internautas. É uma ferramenta que garante acesso imediato a um número ilimitado de informações. O problema é que os dados nem sempre são confiáveis.

O alerta é do professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Alfredo Oliva. Para ele, o aluno ou pesquisador deve desconfiar sempre das informações disponíveis na rede e procurar mais de uma fonte de informação.

A internet, que conta com ferramentas como a Wikipédia, é uma fonte confiável de informações para pesquisa científica, acadêmica ou escolar?
A Wikipédia funciona no máximo como um pronto-socorro da informação. Enquanto fonte de pesquisa é um verdadeiro desastre, porque pessoas já fizeram o seguinte teste: entrar, inserir comentários zombeteiros, dizer uma asneira e aquilo ser incorporado pelo verbete. Até há alguns verbetes bastante especializados, mas a maioria é de um conhecimento muito superficial.

Então a regra é ter cuidado no uso da internet como fonte de informação?
O que acontece é que a internet pode prestar um serviço ou um desserviço. Existem enciclopédias que mais vão atrapalhar e que vão criar maus hábitos, como uma certa acomodação. Existem também possibilidades fantásticas. Eu, conectado através de uma placa de wireless, tenho acesso a uma série de revistas especializadas em história. Tenho acesso a produções muito recentes de historiadores. Isso facilita bastante o trabalho.

Mas nessa inflação de informação, se você não tiver critério e uma certa habilidade para selecionar essas informações, e até uma certa formação profissional, fica até difícil distinguir o que presta do que não presta.

E como separar o joio do trigo?
Acho pouco provável que uma pessoa não formada profissionalmente, ou pelo menos não treinada consiga. Uma forma de reduzir a possibilidade de cometer erros grosseiros é comparar diferentes fontes. Você nunca vai procurar uma informação numa única fonte. A probabilidade de acertar quando o mesmo fenômeno é atestado por pessoas de contextos diferentes, através de diferentes meios, é muito maior.

Como está a qualidade da pesquisa histórica hoje no País?
Quando se fala de constituição de um campo de saber, com metodologia, com técnicas, com discussão teórica aprofundada, com profissionalização, estamos avançados. Do século XIX para cá, o campo de estudo da História está se profissionalizando, está se refinando. E isso permite a formação de profissionais, de pessoas treinadas, com olhar bastante crítico.

Quais fatores contribuem para esse aumento da qualidade?
Há dois fatores fundamentais: a hiperprofissionalização do historiador e a circulação muito rápida das informações. Situações inimagináveis há algumas décadas são possíveis hoje. Sou testemunha disso. Eu vi, ao vivo, por intermédio da televisão, a segunda Torre Gêmea ser abatida por um avião. Quem imaginaria que isso seria possível?




Maioria dos verbetes tem conhecimento superficial

Você nunca vai procurar uma informação em uma única fonte

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