O médico londrinense Tsutomu Higashi não para. Com 70 anos ele continua atendendo e publicou recentemente o livro ''O Caminho da Medicina Regenerativa'', escrito com auxílio da jornalista Josi Costa. O objetivo foi colocar no papel, em linguagem acessível, décadas de estudo e experiência sobre a medicina antienvelhecimento.
''É uma ciência que foi lançada há cerca de dez anos nos EUA, com 12 médicos cientistas que se reuniram e discutiram problemas de envelhecimento. E lançaram a ideia de criar essa ciência'', explica. Hoje, mais de 400 mil médicos ao redor do mundo estudam o tema.
Segundo ele, hoje as pessoas estão vivendo cada vez mais. A qualidade de vida, no entanto, tem deixado a desejar. E é aí que entra a medicina antienvelhecimento, cujo objetivo primordial é fazer com que a pessoa mantenha a ''dignidade'' com o passar dos anos. ''Porque dignidade é você chegar aos 70, 80 ou 90 anos trabalhando, ganhando seu dinheirinho, estudando. E mantendo sua vida recreativa normal. Principalmente trabalhando. Aposentar uma pessoa é a pior coisa que existe.''
Quando o corpo humano começa a envelhecer?
Veja só, o ser humano normal, por incrível que pareça, a queda de performance global começa já com 30 anos. Por isso mesmo é difícil um atleta depois de 30 anos fazer grande performance. Só se é um atleta muito equilibrado, do ponto de vista nutricional, leva uma vida assídua de dormir cedo, se alimentar corretamente, fazer exercícios. Então pode prolongar até 30 e poucos anos. Mas uma pessoa normal com 30 anos começa a ter queda.
A primeira queda que vai acontecendo gradativamente são os hormônios. A pessoa ouve a palavra hormônio e a primeira coisa que pensa é em hormônio sexual. Estou bom na cama, ela pensa. Mas a parte sexual é a última a declinar, porque é parte vital do ser humano. Então não pode basear a parte do sexo para dizer que hormônio está bom. Um sinal de envelhecimento marcante é quando a gordura aumenta e os músculos diminuem.
Qual é a principal causa que leva as pessoas envelhecerem de forma ''errada''?
Três causas são fundamentais. A primeira é o preconceito contra o hormônio. Numa década passada ventilou-se (a ideia) de que hormônio dá câncer. Mas ninguém perguntou qual hormônio dá cancer? Então generalizou-se a palavra hormônio. Sabe qual hormônio deu câncer? Uma indústria farmacêutica transformou urina da égua grávida em hormônio e deu para mulheres. Esse tipo de hormônio de outra espécie não é bioidêntico.
Mas com avanço da tecnologia hoje podemos fabricar hormônio bioidêntico, igualzinho. Testosterona igualzinha à do seu corpo. Mas isso não dá patente, então a indústria não fabrica. Porque coisa biológica não tem patente, é única. Como não dá patente a indústria tem total desinteresse.
É importante também conscientizar sobre a nutrição. O homem hoje come muito carboidrato e pouca proteína. Por que carboidrato? Porque é muito fácil, é a pizza, fast food. Vai comendo baixo teor de nutrientes. Quanto mais industrializa, refina a coisa, o nutriente vai embora. Hoje as pessoas não estão muito preocupadas em comer alimento natural. A maioria consome comida altamente calórica, com nutriente zero. Então vai deformando a composição do corpo.
Qual a receita para envelhecer bem?
Balancear hormônio, orientar a comer certo. A parte mais difícil é orientar certo e a pessoa aderir ao tratamento. Por quê? Porque não temos educação alimentar desde criança. Estudamos um monte de coisa, mas não tem aula de alimentação. Basicamente, para ter saúde na comunidade, tem que investir em alimentação, desde o primário. Para comer certo tem que orientar quem? As mães. Tem mãe que não coloca água para o filho beber, mas refrigerante. O maior tóxico que tem é o tal do refrigerante. Para limpar um copo de refrigerante você precisa de 15 copos de água. Porque o PH do refrigerante é dois ou três e o nosso é 7,2. E quanto mais o PH é ácido é doença.
E tem também o exercício. E a forma certa de fazer exercício. Na minha idade, por exemplo, não posso correr por uma hora. No dia seguinte estou na cama ou me leso. Muita gente hoje tem raiva de exercício porque foi mal orientado e se machucou. Na minha idade o máximo que posso fazer são 30 minutos de aeróbio, mais dez minutos de alongamento, dez minutos de peso e ainda faço Pilates três vezes por semana. Tem que fazer uma fórmula adequada à idade.
Reposição hormonal, nutrição e exercícios corretos. Então esse é o segredo para envelhecer bem?
Envelhecer com dignidade, porque dignidade é você chegar aos 70, 80 ou 90 anos trabalhando, ganhando seu dinheirinho, estudando. E mantendo sua vida recreativa normal. Principalmente trabalhando. Aposentar uma pessoa é a pior coisa que existe. Porque castra mentalmente a pessoa. Ela fica inútil. Toda pessoa tem que trabalhar.
O excesso de medicação atrapalha envelhecimento?
Infelizmente a medicina está ditando norma pela indústria de medicamento. Tem muito medicamento. Então uma pessoa que procura cinco ou seis médicos, cada um dá uma sacola de remédios. Mas não são remédios fisiológicos ou naturais. Não são nutrientes. São drogas, muitas vezes pesadas. Por exemplo, eu nunca consegui salvar um cliente que toma calmante por muito tempo. Certos calmantes por aí inibem totalmente a capacidade do corpo de reagir, de colocar o sistema nervoso em ordem.
Aconselho que o melhor é tomar o calmante por cinco ou seis dias no máximo e depois parar. Não pode tomar a vida inteira. Vai inibir capacidade emocional, intelectiva. Tudo é inibido, a pessoa vive como um zumbi. Tem muita droga que é anti-hormônios, que acaba com os hormônios da pessoa antes do tempo. A pior forma de envelhecer é essa (indica um desenho de uma pessoa obesa, com as artérias acumulando resíduos). É uma bomba relógio, qualquer momento vai ter entupimento da artéria. O grande vilão da história não é o colesterol, é a composição corporal. A pessoa que está assim tem muita gordura corporal.
Até qual idade o senhor pretende chegar?
Não sei. Só sei de uma coisa, enquanto eu respirar quero trabalhar. Quero ser útil as pessoas. Servir. E tem tanta coisa que aprendi na vida, tenho que passar o que sei e servir as pessoas que precisam. Porque medicina é ciência, mas também arte. A arte da cura.

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