Nunca a expressão ''aldeia global'' esteve tão presente no dia a dia do brasileiro como nos últimos anos, principalmente em um segmento ligado diretamente à sobrevivência humana: a alimentação. A demanda mundial por comida cresce ancorada no aumento do poder de compra dos países emergentes e do crescimento turbinado do mercado chinês. Por outro lado, a produção não consegue acompanhar tal velocidade. Nas gôndolas dos supermercados está o resultado: a alta de preços.
Esse é um problema complexo de difícil resolução. De um lado estão os produtores, que veem seu trabalho valorizado, o que também traz benefícios para a economia de muitos municípios do interior. Com os preços mais competitivos no mercado externo, muitos focam nos clientes estrangeiros, reduzindo a oferta por aqui e, consequentemente, contribuindo para o aumento da inflação. E mesmo aqueles agricultores que não estão focados nos portos aproveitam o momento para incrementar ganhos.
Quem paga por toda essa movimentação é a população, que está gastando cada vez mais para alimentar a família, como mostra reportagem especial que a FOLHA publica hoje.
E essa tendência deve permanecer no futuro próximo. Os preços dos cereais como trigo e milho e dos alimentos básicos continuarão caros na próxima década, segundo análise da Organização das Nações Unidas (ONU). A entidade fez um apelo para que os líderes do G20 - grupo que reúne os países mais ricos do mundo - discutam formas de amenizar a alta, estimulando os setores agrícola e agropecuário.
O Brasil pode vir a ter papel de destaque na reversão desse cenário. Temos uma área produtiva gigantesca, mas nos falta uma política mais efetiva para melhorar a produtividade no campo. É preciso fortalecer a agroindústria nacional, aumentando as linhas de financiamento de equipamentos e insumos, e investindo maciçamente em pesquisas.
Além disso, é necessário resolver outro problema que entrava o escoamento da produção: a infraestrutura. Perde-se muito da produção em estradas malconservadas, cheias de buraco, e demora-se muito para chegar ao destino.
É hora de o Estado começar a mudar a perspectiva do aumento da fome. Não há tempo a perder.

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