De repente, 17 mil contribuintes do Imposto de Renda, do Paraná e Santa Catarina, são surpreendidos pela Receita Federal com cartas de cobrança de pequenos débitos antigos. Este Jornal buscou saber mais detalhes junto ao delegado da RF em Curitiba, Virgilio Candetta, e a informação que recebeu é que a medida está sendo tomada em todo o País e que respondendo a menção que lhe foi feita os escândalos da corrupção, que ocorrem no âmbito governamental e envolvendo dinheiro do povo, ''não tiram o ânimo de buscar o imposto devido''. De fato, nunca se soube que a Receita houvesse alguma vez perdido o ânimo de cobrar, mas surpreende esse avanço sobre credores de quantias individuais pequenas embora grandes para os cidadãos já com tão pouco dinheiro nas mãos. Há débitos que vêm de 14 anos atrás, e certamente alguns devedores já tenham falecido, mas a voracidade arrecadadora é implacável. Existem casos em que esses valores estão sendo descontados de créditos (posteriores) a restituir, mas muitos questionam se realmente devem. Uma contribuinte que alegou já haver pagado o que deve, recebeu como resposta, do delegado, que ''pode ter havido alguma falha do sistema''. Isto remete para a desconfiança de que haja cobranças indevidas, e quando se trata de contas públicas pouco adianta contestar. Devedores ouvidos dizem que nunca, antes, foram informados desses débitos, e que a Receita ''decidiu fazer caixa em cima dos contribuintes pequenos''. Estranha a cobrança tardia, ademais ocorrendo num momento psicologicamente inoportuno, quando a roubalheira na esfera governamental não cessa e vai revelando coisas escabrosas. Mas não apenas isto, porque contas tão antigas deveriam ir para o baú e o dinheiro correspondente ficar em poder dos cidadãos, entenda-se o meio circulante, gerador de mais riquezas do que no cofre do Tesouro que tem canais também para destinos escusos, como os da corrupção, dos gastos desnecessários, do desperdício e do apetite pantagruélico da máquina pública. É justificada essa reação dos contribuintes, principalmente porque há casos de dívidas questionáveis e de ''falhas do sistema'', possibilidade que a própria Receita admite. O dinheiro para manter o alto custo do Governo é sempre insuficiente e a União abocanha 61% de toda a receita tributária nacional porque não há nenhum propósito de reduzir gastos. Por isso essa sanha arrecadadora, com ingredientes de ditadura fiscal. Se um governo necessita de receita para realizar suas metas, assiste-se a uma paralisia do atual, algo constante nestes três anos já decorridos. Porque não existem projetos e nem grandes obras, a não ser as rotineiras. Então, tanto dinheiro arrecadado, que faz falta para o giro dos negócios, é canalizado para sustentar o mastodonte representado pela empresa governamental gastadora, pouco operante, atrapalhadora no mais dos casos e muito corrompida.

mockup