Fome e outros desafios
Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Alimentação e a Agricultura (FAO) traz uma boa notícia ao Brasil. Conforme o levantamento, nos últimos dez anos o País conseguiu reduzir à metade a porcentagem da população que sofre com a fome. Este seria um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, fixados pelas Nações Unidas para 2015. Em 2000, foram definidas pela ONU oito ações com o propósito de melhorar as condições de vida das pessoas até o próximo ano.
Conforme o relatório, o Brasil conseguiu reduzir a pobreza extrema em 75% entre 2001 e 2012 (que vive com menos de US$ 1 por dia). No entanto, 8,4% dos brasileiros ainda sobrevivem com menos de US$ 2 por dia. Além disso, 1,7% da população sobrevive com um consumo diário abaixo de 2,2 mil calorias. Importante lembrar que à frente da FAO está José Graziano, que foi ministro durante o governo Lula e o criador do programa "Fome Zero", precursor do Bolsa Família.
Além disso, a redução do índice ocorreu, principalmente devido à mudança de metodologia da pesquisa. Foi considerada a alimentação fora de casa na radiografia da segurança alimentar, como as refeições em restaurantes populares e a merenda escolar.
Agora, como bem afirma o economista Huáscar Pessale, professor da Universidade Federal do Paraná, em entrevista a esta FOLHA, certamente o programa trouxe um efeito positivo entre a população que vivia em situação de extrema pobreza, mas não é capaz de proporcionar "uma educação prolongada e o atendimento mais sofisticado à saúde".
Então, passada a fase de garantir alimentação, é preciso garantir dignidade às pessoas. Assim como cresce o orçamento para programas de distribuição de renda, encarado por muitos setores da sociedade como mero assistencialismo, é preciso investir mais em educação. A preocupação com o aprendizado deve partir desde a educação infantil até cursos de capacitação de trabalhadores. Talvez, o maior desafio seja acabar com o analfabetismo funcional.





