FOLIA DE MOMO - Carnaval da tradição é coisa do passado
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
Com origem na antiguidade, o Carnaval era conhecido pelos bailes de máscaras, fantasias e marchinhas que embalavam os foliões. Anos depois, a festa passou a ser caracterizada pelos desfiles das escolas de samba, que, desde o início, chamaram a atenção e atraíram uma multidão para as ruas e avenidas. Em 2009, de acordo com dados do Ministério do Turismo, serão investidos R$ 3,44 milhões em todo o País. A previsão é de que o mercado interno de turismo tenha um crescimento de 20% em relação ao ano passado. Em Londrina cerca de R$ 300 mil são investidos na festa.
Além do visível crescimento de popularidade, o sentido do Carnaval mudou - e muito. Para Alexandre Bez, psicólogo especialista em relacionamentos, ansiedade e síndrome do pânico, as mudanças são decorrentes do uso excessivo do álcool e das drogas. Segundo ele, a falta de limites e de punição - fatores que pairam na sociedade atual -, também ''estragam'' a tradição. ''O jovem acha que pode fazer o que quer.''
O senhor afirma que as pessoas extravasam no Carnaval. Por que isso acontece?
O Carnaval é uma festa fantástica, cultural e tradicional. A festa permite extravasar o que não seria possível num dia comum. Pode-se liberar os desejos reprimidos e realizar de forma sadia as fantasias. O bom do Carnaval é conhecer pessoas novas e fazer amizades de forma tranquila e natural.
Mas não é isso o que se vê. A maioria das pessoas passa da conta. O senhor não acha que os valores estão sendo perdidos?
A pessoa tem que saber moderar. O que pode estragar qualquer festa é o uso excessivo de álcool, que é uma droga lícita que não faz bem para nada, e a influência de drogas. A questão dos valores começa em casa. Hoje em dia existe a falta de limites. O indivíduo se acostuma com a não punição e a fazer o que bem entender. Tem gente que já vai com má-fé para a festa, faz arruaça e estraga o Carnaval de muitos. Também tem a questão econômica, pois quem tem um nível socioeconômico bom apronta mais ainda por achar que nada vai acontecer. A impunidade é um agravante sério.
Como o senhor se posiciona diante do ''ficar'', que é tão comum no Carnaval?
Existe uma grande diferença do ficar de hoje do ficar de antigamente. O que era para ser uma coisa gostosa perdeu o sentido, pois beija-se várias pessoas sem pegar telefone e sem, ao menos, saber quem é. O beijo deve envolver carinho e carícia.
Pode-se afirmar que a festa está cada vez mais vulgar?
No Carnaval existe um erotismo permitido. É importante diferenciar erotismo de pornografia, que não tem nada a ver com o Carnaval. Nesta festa as pessoas podem sair com menos roupa, a sexualidade é exposta de maneira saudável e divertida. Existem algumas pessoas desconhecidas que querem se promover e partem para a vulgaridade para chamarem a atenção de alguma maneira. Aí está o grande problema.
Nesse contexto, pode-se afirmar que o real sentido do Carnaval foi se perdendo com o tempo?
As pessoas e os valores mudaram. Vivemos num mundo muito globalizado e individualista. Para muita gente existem duas coisas que imperam no mundo: ter dinheiro e ser celebridade. Por essa razão, boa parte do sentido da festa se perdeu, mas não dá para generalizar.
E como o senhor acha que será o Carnaval daqui para frente?
Se as pessoas não tomarem consciência do que o Carnaval representa, a tendência é piorar. Aquele glamour dos anos 1960 vai ficar só na saudade. Isso é ruim, pois o correto da vida é evoluir e não retroceder.
Então, na sua opinião, o Carnaval está retrocedendo?
Não sei se a festa, mas as pessoas que a compõem.


