Os preços apresentados pela empresa vencedora do leilão para explorar as novas praças de pedágio mostram que a FOLHA DE LONDRINA estava certa ao questionar os valores cobrados no Paraná. A FOLHA não é contra o pedágio, que significa investimentos em segurança e conforto aos usuários. A FOLHA sempre questionou a composição das planilhas por achar que as taxas são elevadas.
Agora é só estabelecer uma comparação entre o que o paranaense vem pagando e o preço apresentado pela OHL (R$ 1,364) na Regis Bitencourt (BR 116), entre São Paulo e Curitiba. Ou o preço entre Curitiba e Florianópolis (R$ 1,028), pela BR 101. Ou ainda o preço maior (R$ 2,540) para o trecho entre Curitiba e a divisa com Santa Catarina pela BR 116.
É claro que as concessionárias do atual serviço vão alegar a densidade do fluxo como determinante de preços. É como algo que se produz em grande escala para atender grandes demandas comparado com uma produção menor para atender demandas pontuais, de pequena escala.
Só que a desproporção, mesmo considerando o fator densidade, é muito grande. E, nesse ponto, as concessionárias terão de fundamentar muito bem seu argumento porque a diferença é acentuada.
De qualquer forma, a discussão tem que ser lúcida, técnica, e os críticos do pedágio têm que deixar de lado o fator emocional. É quase certo, porém, que pedidos de revisão vão acontecer e serão absolutamente pertinentes.
Aliás, ontem mesmo o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reveja os valores cobrados nos pedágios das rodovias federais participantes da primeira rodada de concessões. A medida abre precedente para que ocorra em todas as regiões, desde que órgãos como o próprio TCU assim o determinem.
O TCU deu 30 dias para que a agência faça estudos para verificar se a rentabilidade do investidor das concessionárias está equilibrada. A partir desse questionamento é defensável que alguém questione a taxa de retorno em determinados trechos.
Para usar a lógica - e não necessariamente fundamentação científica -, quando se diz que algo é muito ou é pouco; é feio ou bonito, é natural que se pergunte se é algo é muito (ou pouco) em relação a qual número.
No caso das concessionárias já existe um parâmetro aferidor e comparativo.
Ou seja a taxa de retorno nas rodovias leiloadas ontem ficou abaixo de 9%, exatos 8,95%.
A notícia divulgada ontem sobre a iniciativa do TCU, diz: Caso a ANTT conclua que as taxas estão em desequilíbrio, a agência terá que fazer uma revisão dos valores, o que deve estar previsto no contrato de concessão. Aliás a própria ANTT deve ser questionada na Justiça.

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