Folha, 56 anos e os mesmos ideais
Em novembro de 1948 Londrina não tinha um número de leitores e de anunciantes suficientes para manter um jornal, e muitos dos seus habitantes eram estrangeiros italianos, alemães, japoneses, espanhóis, árabes, portugueses, eslavos que não dominavam plenamente a língua da nova pátria e preferiam a leitura de esporádicos jornais e revistas que recebiam de seus países. Havia também muitos paulistas e mineiros, mais interessados em seus negócios do que em fazer assinatura de jornal. O mercado de compra-e-venda de terras era promissor e ao menos propiciava uma certa garantia de publicidade. Foi nesse ambiente, no dia 13 daquele mês e daquele ano hoje exatos 56 anos que o catarinense João Milanez, que vinha em busca de vida nova nesta propagandeada Terra da Promissão, resolveu incursionar pela aventura do jornalismo. Ele não estava sozinho nessa empreitada. Contava com o jornalista Correia Neto, depois os sócios Fulgêncio Ferreira Neves, Aquiles Pimpão, Abdoral Araújo e Eufrosino Lázaro Santiago. Mais dois jornais já existiam: o ''Correio do Norte'' e o ''Paraná Jornal'', ambos diários, o semanário ''Gazeta do Norte'' e outras publicações periódicas. Esta breve narrativa histórica é para relevar um predeterminismo que parecia reservado à Folha, porque este Jornal resistiu às dificuldades financeiras que tangiam todos os veículos de comunicação e conseguiu sobreviver. Foi o único que se manteve, dentre os que havia e os que vieram depois. O segredo do sucesso foi que falava a língua dos pioneiros, alentava seus ideais e dava cobertura jornalística aos seus empreendimentos, e hoje continua falando a mesma linguagem dos paranaenses. À medida que a cidade crescia, também o Jornal se expandia, este navegando na crista do desenvolvimento vertiginoso que se operava, e a comunidade e a região igualmente haurindo do reforço que recebia da Folha de Londrina, em forma de manchetes e fotografias sobre a saga dos desbravadores. Assim, a cidade forjava sua história e o Jornal a descrevia. Não eram apenas as notícias mas também os anúncios, estes difundindo as oportunidades de negócios; eram as campanhas em defesa de reivindicações regionais á escolas, hospitais, estradas pela voz das lideranças estampada em letra impressa e que encontrava ressonância. Se os governantes não vinham com frequência para estas terras, a Folha chegava ao gabinete do governador e às mãos dos secretários de Estado e dos deputados, dizendo o que o Norte do Paraná reivindicava. As soluções iam surgindo, uma delas, de grande expressão, a Estrada do Café, e assim o Norte conectava-se por asfalto com a Capital. Não há empreendimento de vulto, marcadamente em Londrina bem como a pavimentação de muitas estradas da região que não tenha tido uma cota de participação deste Jornal no mais das vezes caudatário dos movimentos encabeçados pelas fortes lideranças de então, outras como agente do processo, lançando ou adubando idéias. A Folha de Londrina, hoje, continua com o mesmo ideal e com o mesmo espírito dos tempos pioneiros, porque as reivindicações atuais da Região Metropolitana e dos municípios de todo o Paraná onde o jornal circula apenas mudaram de característica mas são tão intensas quanto no passado. Uma nova corrente de cidadãos acentuadamente a dos bisnetos dos pioneiros rege hoje as cidades do Norte do Paraná e confere outra fisionomia às ruas e aos campos, e a Folha de Londrina está atenta a eles e às suas necessidades e empreendimentos, com a mesma impulsão e o mesmo idealismo de sempre.





