1989. Preparava meu terceiro livro ‘‘Paraná Político’’ quando uma dúvida surgiu. Pelas nossas informações, apenas duas mulheres tinham sido eleitas prefeitas em 88: Lenir Spada, em Santa Terezinha do Itaipu, e Terezinha Seghesi em Paissandu. Na conferência dos então 290 municípios, dois nomes diferentes apareciam. Guiomar Lopes, de Francisco Beltrão, sabíamos que era nome de homem. A dúvida ficava por conta de Solange Marques, em Quinta do Sol. A confusão aumentava com mais um dado: o nome do cônjuge era Orides Marques. Seria uma corruptela de Eurides?
Zagonel Santos, veterano funcionário da Casa Civil propôs-se a tirar a dúvida. Telefonou para lá. Atendeu a secretária do gabinete. ‘‘Alô, aqui é Zagonel da Casa Civil. A senhora poderia prestar-me uma informação?’’ ‘‘Pois não, com prazer’’, respondeu a solícita secretária. ‘‘Nós estamos com uma dúvida’’, tornou Zagonel. ‘‘Solange é nome de homem ou de mulher?’’. O tom da secretária mudou. Irritada destemperou: ‘‘É homem. E muito homem. É meu marido.’’ Orides era a autêntica secretária de casa e prefeitura.

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