Nick Ut tinha 21 anos quando fez a foto que lhe renderia um Pulitzer. Precoce, desde os 14 trabalha para a AP. Hoje, aos 51, mora em Monterey Park, na Califórnia, com a esposa e dois filhos. ‘‘Ele ainda trabalha para a Associated Press’’, informa Jack Stokes, gerente de relações públicas da agência.
É um relacionamento que dura 36 anos, desde o dia em que foi contratado, em 1966. De lá para cá, o fotógrafo vietnamita registrou imagens que ajudaram a marcaram seu nome na história do fotojornalismo. Algumas delas são da mesma personagem da célebre foto de 1972. Afinal, o contato entre Kim e Ut não cessou naquele dia.
A partir de novembro daquele ano, quando a garota voltou à sua vila natal, e até 1975, Ut foi visitá-la algumas vezes. Após um longo hiato - e 17 anos depois da tragédia -, eles voltaram a se encontrar em Cuba. Já em 1997, o fotógrafo voltou a visitá-la, agora em Toronto, no Canadá, para onde Kim havia se mudado em 1992. Em junho de 2000, encontraram-se novamente em Londres, na presença da rainha Elisabeth II.
Depois de 1975, data da queda de Saigon, quando o fotógrafo teve de deixar o Vietnã, Ut só retornou em 1989, para retratar a busca dos soldados norte-americanos perdidos em combate. Em 1993, ele voltou a Trang Bang, onde conheceu alguns parentes de Kim que ainda viviam por ali.
Hoje, seu quartel-general é o escritório da AP em Los Angeles. Em entrevista à Agência Estado, Nick Ut falou sobre a foto, Kim e a repercussão de seu trabalho.
AGÊNCIA ESTADO - Depois de 30 anos, o que se passa pela sua mente quando revê aquela fotografia?
NICK UT- Toda vez que olho para a foto que fiz de Kim Phuc, me lembro dos seus gritos e de sua dor. Fico muito triste não apenas por ela, mas por todas as crianças vítimas da Guerra do Vietnã e de todas as guerras. Estou mais velho agora e tenho meus filhos, então também olho para trás, para aquele dia, como um pai. Trinta anos depois, a fotografia ainda me lembra da necessidade de paz mundial.
AE - Em que momento você se deu conta de que aquela imagem ficaria para a História? Você imaginava que, 30 anos depois, estaríamos aqui falando sobre ela?
Ut - O momento em que fiz aquela foto foi o mais importante da minha vida e da vida de Kim Phuc. Ele mudou nossas vidas. Tornou possível para mim vir à América e, para ela, viver hoje no Canadá e ser porta-voz das Nações Unidas.
AE - Você ainda mantém contato com Kim Phuc?
Ut - Sim, toda semana. Agora, ela está casada e tem dois filhos. Somos como uma família. Quando ela fugiu da Cuba comunista para o Canadá, fui a primeira pessoa para quem ela ligou para dizer que finalmente estava livre.

mockup