Sua vida sexual é plena e você não tem do que reclamar? A internet causou o boom das relações fast food? A média de duas a três relações semanais publicada nos livros deve ser mantida? E a masturbação, é prática corriqueira em seu cotidiano? Quando o sexo entra na berlinda, curiosidades e incertezas não faltam.

Psicóloga e sexóloga, Carla Cecarello sabe bem disso. Coordenadora do Projeto Ambulatório da Sexualidade (AmbSex), ela comandou, no último mês, pesquisa que, entre outros temas, enfocou a masturbação. Os resultados? 38% se masturbam com frequência, ''gostam muito e faz bem'', e 16% se masturbam muito, ''várias vezes ao dia'' e acham até que ''exageram''.

Nesta entrevista à FOLHA, a sexóloga paulista debate mitos, tabus e sentencia: quantidade nunca foi sinônimo de bom relacionamento. ''O que vale realmente é a qualidade e sair satisfeito da transa. Satisfação é a palavra de ordem nas relações sexuais'', considera.

Brasileiro e a masturbação. A vergonha ainda impera?
A masturbação é uma prática que as pessoas ainda têm um pouco de vergonha em assumir que fazem. Mas, apesar disso, o número de mulheres que descobriram a masturbação aumentou bastante nos últimos 10 anos. Elas se permitem ao menos experimentar tal prática, pois é através dela que se pode conhecer melhor o corpo e as sensações.

Por que ainda há muitos tabus em relação ao tema?
Porque para muitos a masturbação não é vista com bons olhos e, sim, como algo que foge do normal, do convencional. Além disso, praticar a masturbação, estando num relacionamento, pode parecer traição ou insatisfação por parte de um dos parceiros com a relação amorosa estabelecida.

A propósito, o boom da internet facilita as relações fast food?
Sem dúvidas, mas ressalte-se aqui: a internet não é a única responsável por essa categoria de relacionamento. Ela foi uma facilitadora. Muitos são os fatores que contribuem para isso. A ascensão profissional feminina, o surgimento de medicamentos para a ereção, o tipo de vida que passamos a levar, regido pela correria, inseguranças financeiras, stress, dentre outros, colaboram.

Mas a internet facilitou a queda dos rendimentos das produtoras pornográficas...
Não há dúvidas: as pessoas buscam cada vez mais na internet a exposição pornográfica e têm, ao alcance do mouse, aquilo que só encontrariam, tempos atrás, em locadoras e lojas especializadas.

Fazer sexo virtualmente pode ser considerado traição?
Isso é bem difícil de responder, pois varia de pessoa para pessoa. Depende do ponto de vista de cada um e se esse tipo de prática ajudou ou não o casal.

Transar menos é sinal de crise no relacionamento? É necessário manter a ''média'' de duas a três vezes semanais?
Quantidade nunca foi sinônimo de bom relacionamento. A média de duas a três vezes por semana, descrita em muitos livros, hoje em dia está difícil de se manter. Com a vida que a maioria das pessoas leva, quantidade, às vezes, atrapalha. O que vale realmente é a qualidade e sair satisfeito da transa. Satisfação é a palavra de ordem nas relações sexuais.

As relações sexuais têm que ter hora marcada ou fugir à regra?
Hora marcada, nem pensar! Além de tirar a espontaneidade, subtrai qualquer expressão sexual natural que possa existir. O casal deve estar em sintonia afetiva e emocional e só ter relações sexuais quando ambos estão a fim. Para isso, não importa o dia e nem a hora.

E quando há a falta de desejo? É o caso de procurar ajuda médica?
Em alguns casos, sim. Em outros, a ajuda psicológica se faz necessária. Por isso, quando a falta de desejo passar a ser frequente é importante buscar um médico para descartar qualquer causa orgânica e um psicólogo especializado em sexualidade humana para avaliação emocional.

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