Começa amanhã uma experiência inédita no Brasil: a revisão do acordo do Fundo Monetário Internacional (FMI) com o País, da qual participarão duas equipes de governo: a do presidente Fernando Henrique Cardoso e a do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. ''É uma experiência completamente nova, pois temos um acordo que foi feito por este governo, mas vai passar para o outro'', disse à reportagem o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Arno Meyer.
Os técnicos do Fundo vêm ao Brasil com dois objetivos: analisar o cumprimento das metas referentes ao terceiro trimestre de 2002 e ajustar as projeções sobre a economia em 2003. É nesse segundo aspecto do trabalho que a equipe do novo governo deverá participar. No entanto, por questões formais, nenhuma decisão mais importante deverá ser tomada. Como o novo governo não está empossado e não se sabe ainda quem serão os responsáveis pela política econômica, será impossível assumir novos compromissos ou metas mais ambiciosas para 2003. Essa discussão será deixada para a próxima visita do Fundo, marcada para fevereiro.
O coordenador da equipe de transição do novo governo, Antônio Palocci Filho, declarou que não pretende negociar nova meta para o resultado das contas públicas em 2003. O texto do acordo em vigor, porém, diz: ''haver entendimentos sobre o nível adequado do resultado primário para 2003 é uma condição para a conclusão de cada uma das quatro primeiras avaliações previstas no acordo.''
Palocci também informou que não há decisão do novo governo quanto a negociar com o FMI uma possível troca de metodologia para estabelecer o nível desejado de superávit primário. Na sexta-feira, foi noticiado que o novo governo poderia propor ao Fundo a adoção do sistema chileno, que estabelece a meta de superávit primário não apenas em função da necessidade de reduzir a dívida pública, mas também levando em conta o desempenho da economia.
A missão do FMI desembarca em São Paulo, onde tem uma série de reuniões com o setor privado agendadas nesta segunda-feira e na manhã de terça. Os técnicos ouvirão avaliações de analistas sobre as perspectivas da economia brasileira. O primeiro encontro com a equipe econômica está previsto para o final da tarde de terça-feira. O grupo será chefiado pelo economista argentino Jorge Marquez-Ruarte.

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