Flexibilizar para incluir
Maternidade e emprego não podem ser tratados como mundos separados
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de maio de 2026
Maternidade e emprego não podem ser tratados como mundos separados
Às vésperas do Dia das Mães, a prefeitura de Londrina realizou um excelente projeto de inclusão. A Feira de Empregabilidade para as Mães de Londrina, realizada nesta semana pela Secretaria Municipal do Trabalho, Emprego e Renda, trouxe vagas de trabalho e também uma reflexão urgente sobre um modelo de mercado que considere a realidade de milhões de mulheres brasileiras: a de que maternidade e emprego não podem ser tratados como mundos separados.
A iniciativa atendeu quase uma centena de mulheres e mostrou que existe uma demanda reprimida de mães que desejam trabalhar, produzir, empreender e conquistar autonomia financeira, mas encontram barreiras práticas que o modelo tradicional de jornada muitas vezes ignora. Não se trata de falta de qualificação ou de vontade. Trata-se, principalmente, da ausência de condições compatíveis com a rotina de quem precisa conciliar emprego e cuidado com os filhos.
A iniciativa é tratada pela Prefeitura de Londrina como um projeto piloto para ampliar o acesso de mulheres com filhos tanto ao trabalho formal quanto ao empreendedorismo.
Cinco empresas de Londrina participaram da feira como parceiras do município, apresentando horários diferenciados, contratos por produtividade e até a oportunidade de home office (trabalho em casa). Para quem não encontrou uma vaga que sirva em suas necessidades, foram oferecidas capacitações que ajudam a iniciar o próprio negócio de casa.
A rigidez das jornadas de 44 horas semanais, a escassez de vagas em creches e a distância entre casa e trabalho acabam expulsando muitas mulheres do mercado formal. Esses critérios foram apontados pelas participantes da feira como os principais empecilhos para chegar ao trabalho e renda. E o resultado é conhecido: dependência financeira, redução de renda familiar e desperdício de talento humano.
Mas quando o setor privado e o poder público decidem olhar para essa realidade de forma concreta, surgem soluções simples, mas transformadoras. Empresas que compreendem as necessidades das mães não apenas exercem responsabilidade social, mas também se tornam mais competitivas em um mercado que exige adaptação e sensibilidade.
O mercado de trabalho do século 21 precisa entender que flexibilidade não é privilégio. É condição de inclusão. Quando mães conseguem trabalhar com dignidade sem abrir mão do cuidado com os filhos, toda a sociedade ganha: as famílias, a economia e o desenvolvimento social.
Obrigado por ler a FOLHA!


Adriana De Cunto
Chefe de Redação da Folha de Londrina.


