''Flanelinhas'' demais na conta do veículo
Um exército de ''flanelinhas'' se locupleta às custas do veículo automotor, a ponto de tornar quase proibitivo o uso desse bem. O mais ganancioso deles é o Governo, ao subtrair do valor do carro quase metade dele em impostos. Segue-se todo o corolário de ''flanelinhas'' representados pelas obrigações como IPVA, seguro obrigatório, taxas de toda ordem para obtenção de carteira, renovação, solicitação de laudos, pedágio, imposto sobre combustíveis, multas, arbitrariedades dos agentes de trânsito, ''mordidas'' nas estradas e na cidade, Zona Azul, ''cuidadores'', os ''flanelinhas'' propriamente ditos, os pedintes dos semáforos e agora os malabares, estes ao menos divertidos. São pesados custos agregados ao veículo, que na maioria dos casos é instrumento de trabalho. Em Londrina, os mais novos ''flanelinhas'' são os guardas municipais, cuja serventia é discutível, pois raramente eles são vistos orientando o tráfego e sim aplicando multas e ocupando-se dos inofensivos ambulantes do Calçadão. Agora eles passaram a ocupar-se também dos veículos estacionados nas áreas da Zona Azul, e a chamado dos inspetores da Guarda Mirim vão aplicando multas. Este é um novo e rendoso filão. Se alguém excede alguns minutos de um certo tempo estacionado porque está trabalhando e movimentando a economia brasileira, inclusive para manter 8 milhões de funcionários e beneficiários de ganhos oficiais os guardas aplicam multa correspondente a 10 horas de estacionamento, o que é uma ilegalidade, pois ninguém tem de pagar pelo que não usou. Este é um critério de puro arbítrio. Os meninos da Guarda Mirim, seguindo ordens, já executam a artimanha de emitir novo boleto tão logo comece um novo período de contagem, ao invés de fazer isso ao final, quando a meia hora se completou. Assim, quando ficarem mais adultos, terão aprendido e irão executando essa lei da vantagem. Todos os abusos dos ''flanelinhas'' citados Governo incluído têm de cessar. Dias atrás uma leitora publicou na seção de cartas deste Jornal a queixa de que havia estacionado às 7h30m da manhã, defronte de seu trabalho, e com a chegada dos guardas às 8 horas eles a multaram, como se o seu veículo houvesse amanhecido ali e mesmo que houvesse, este era um direito dela. (Bastaria apalpar o capô e constatar que o motor ainda estava quente). Um abuso, que precisa ser impedido. Os cidadãos pagam uma infinidade de impostos para adquirir o veículo e utilizá-lo e também pagam IPTU, cujo 'T' quer dizer 'territorial' e dá o direito do uso do território público. A Zona Azul, que é uma bitributação mas que as pessoas pagam porque tem função beneficente, não pode prestar-se a abusos. Os ''flanelinhas'' da Guarda Municipal de Trânsito que melhor fariam se fossem policiar os bairros onde ocorrem tantos assassinatos não podem converter-se em mais um problema para os cidadãos, que já têm tantos.





