Flagrantes de uma educação ameaçada
Na edição de hoje da FOLHA, duas informações que devem preocupar dirigentes que ainda propugnam por uma sociedade mais justa, o que só é possível pelos caminhos da educação. A primeira informação surpreende. Na rede municipal de ensino, 23% dos alunos da segunda série ainda têm dificuldades para ler e escrever. Os dados são de Londrina, mas, segundo entendidos, podem ser considerados representativos de um grande número de municípios. Portanto, é a média que expressa uma realidade mais ampla.
A outra informação não é menos preocupante. Metade dos brasileiros (50,2%) não concluiu o ensino fundamental. (No caderno Cidades mais detalhes e opinião de técnicos).
No caso do baixo aproveitamento dos alunos as causas consideradas mais comuns são excesso de faltas, dificuldades cognitivas, falta de amadurecimento ou mesmo deficências como Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
Ficam evidentes também falhas que poderiam ser corrigidas com empenho dos agentes da educação e falhas de caráter social como compromisso da família com as obrigações escolares, um dos principais entraves. Questões bem pontuadas mas que não passam da constatação. Muito diagnóstico mas sem que se mova um lápis pela solução. Excesso de faltas, por exemplo, é algo que pode ser resolvido com a ajuda da própria escola, desde que tenha boa inserção na comunidade. Ocorre que o abandono do ensino afetou o estímulo de diretores e professores.
Um recado para o Ministério da Educação em tempo de descaso e politicagem na vida administrativa do País, em que a educação não é exceção:
Crianças que passam dos nove anos sem saber ler ou escrever correm mais riscos de abandonar a escola. A frase saiu do coração de quem vive o drama.
Agora o problema explícito: alunos que completaram sete anos em 2009, vindos do primeiro ano do novo sistema de escolas particulares ou de outros estados, tiveram que ser matriculados na segunda série, pulando conteúdos. Numa das escolas visitadas pela reportagem da FOLHA, um garoto de apenas seis anos foi matriculado na segunda série, em uma sala com crianças de oito anos, por necessidade de adequação à mudança no sistema.





