Fisiologismo X plano de governo
A primeira atitude de um homem público que se propõe a governar um país, ou qualquer unidade da Federação, não seria a de reunir diagnósticos dos múltiplos problemas e, a partir daí, planejar ações para enfrentá-los? Elementar. Governar, entre outras definições, pressupõe busca de soluções e o bem-estar comum.
Programas de governo têm, necessariamente, que passar primeiramente por uma discussão técnica e em seguida ser submetidos a discussões regionalizadas com segmentos da sociedade. Para isso será necessário muita disposição e principalmente tempo.
Digamos que em um ano seria possível obter-se uma radiografia da realidade de um Estado como o Paraná. Um Paraná heterogêneo, complexo, com extremas necessidades nas áreas de saúde e segurança, para não falar da educação. Serviços públicos que pedem solução há 10 anos ou mais, e muitos setores em que tudo está por fazer.
Candidaturas formadas no limite do prazo dado pela Justiça Eleitoral, como a do senador Osmar Dias, têm qualquer semelhança com um ideário que respeite premissas básicas, com as mencionadas? Decididamente não. Por outro lado, afirmar que ela foi formada para garantir palanque para a candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff, não é relevante ainda que seja verdade.
O questionamento que se faz é o seguinte: a que se propõe uma composição com nítida diversidade política; de espectro ideológico tão diverso. Com personagens que se defrontaram em outras oportunidades, agora se juntam; e figuras que se engalfinhavam agora se somam. O detalhe é que ninguém brigou por diletantismo, mas porque na origem dessas brigas havia denúncias cuja apuração, agora pouco importa - para denunciante e denunciado - enquanto a opinião pública fica sem saber o resultado.
Com o natural desgaste para compor uma turma de matizes políticas tão diferentes e interesses tão conflitantes, sobrou tempo para discutir um projeto de governo para o recuperar o Paraná? Pensando nisso, de imediato vem uma questão: a situação dos setores representados. Pelo menos um está sobrando nesse ônibus abarrotado de tendências políticas.
O excluído é o campo que produz que, certamente, não vai poder sentar-se à mesma mesa dos sem-terra, também representado num possível futuro governo de Osmar Dias. Campo tem a ver com agronegócio, que em tudo a ver com o interior.





