Fiscalizar material escolar e escolas
Não basta fiscalizar apenas o material escolar para atestar sua qualidade e conteúdo, mas fiscalizar também as escolas face a certos exageros no que pedem e que oneram sobremaneira as famílias, sobretudo as com muitos filhos estudando. Esta é a época de comprar as coisas do novo ano escolar, e o Instituto de Pesos e Medidas (IPEM) percorre as papelarias para verificar se as normas são atendidas, em seus diversos quesitos. Conforme noticiário deste Jornal, muitas delas foram autuadas, mas não lhes cabe culpa, porque se há problemas, eles são de responsabilidade dos fabricantes. É nas fábricas que a fiscalização deve ocorrer e não nos revendedores. O que deve ser fiscalizado, nesses pontos de venda, é o preço de uma mesma mercadoria, para que não haja exploração uma incumbência que não é do IPEM. Mas o foco central ainda deve ser a extensa listagem de material que os vetustos pedagogos do Ministério da Educação impõem, e mais o que os professores acrescentam, por próprios critérios. Só o IPEM relacionou 134 produtos, e questiona-se se é preciso tanto para ensinar a criança a ler e a escrever e proporcionar-lhe os ensinamentos básicos das outras matérias, algumas de discutível necessidade. No passado, a escola só pedia um lápis com borracha, um caderno e alguns poucos livros, e delas emergiram homens de grande conhecimento. Significando que não é uma pesada mochila de material que ademais prejudica a coluna das crianças e adolescentes e já foi objeto de denúncia de ortopedistas que vai definir a formação de um estudante. Os professores, na maioria mal pagos, devem saber que as famílias dispõem de pouco dinheiro e não podem gastar tanto. Quem abrir uma mochila escolar, das primeiras séries, encontrará muita quinquilharia. Está na competência do mestre a boa educação que irá transmitir ao discípulo. A questão deve ser avaliada a partir do MEC, e esta é tarefa para comissões do Parlamento, e a partir daí fiscalizada em cada escola e discutida por pais e mestres. Por essas razões é que o ensino resulta caro. A modernidade da informática aguçou a curiosidade dos estudantes, pelo fascínio da tela e do movimento das imagens, mas o conteúdo é ainda o mesmo, apenas atualizado onde necessário. Há escolas que inovam, mas elas no geral seguem a velha ortodoxia pedagógica. Os pais de alunos não devem se ocupar apenas da qualidade do material escolar e sim também do excesso de coisas pedidas pelas escolas. Os livros não podem ser reutilizados por um eventual irmão mais novo, porque é todo preenchido durante o ano um sistema que, ao que tudo indica, destinado a beneficiar as papelarias. Na continuidade, os pais devem buscar saber não apenas o que os filhos estão estudando mas o que não lhes está sendo ensinado.





