Ao lançar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Copa-2014, na última semana, o presidente Lula e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pediram serenidade aos órgãos de fiscalização para evitar atrasos nas obras previstas pelo governo e pela Fifa. ''As obras devem ser agilizadas, mas sem que se abra mão das exigências legais. Olimpíada e Copa não são sinônimos de ilegalidade, mas de agilidade'', declarou o presidente na oportunidade.
A declaração de Lula leva a uma dúvida. Será mesmo possível agilizar as obras sem que os órgãos fiscalizadores façam vistas grossas às possíveis irregularidades identificadas?
Não se pode empurrar para debaixo do tapete a péssima experiência na realização dos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro. A previsão inicial de gastos para o Pan era da ordem de R$ 532 milhões. Com o atraso nas obras e o temor de um fiasco, o governo autorizou um derrame de dinheiro público, que na ponta do lápis superou os R$ 3,5 bilhões.
O aumento de 700% nos gastos do Pan 2007 aconteceu exatamente pela falta de uma fiscalização atuante.
Para a realização da Copa de 2014, somando o dinheiro de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mais o do Orçamento da União e o de contrapartidas dos Estados e municípios, serão empenhados R$ 20,18 bilhões para o evento. Essa pelo menos é a previsão.
O que realmente preocupa é que algumas cidades-sede planejam obras que vão custar muito mais que os orçamentos de um ano de suas prefeituras. Manaus, por exemplo, projeta investir R$ 6 bilhões visando o Mundial, ou quase três vezes seu orçamento em 2009. Fortaleza fala em R$ 9 bilhões para a Copa, contra R$ 3 bilhões de sua peça orçamentária.
Com projetos bilionários, a perspectiva de faltar recursos é real. E se realmente faltar? Será que o governo não vai liberar ainda mais dinheiro?
Está muito claro que vai, principalmente porque na sequência, dois anos depois, o Rio de Janeiro será sede dos Jogos Olímpicos e o governo não vai permitir que o país fique com a imagem arranhada no exterior. Além disso, tem um outro fator que não se pode ignorar: 2014 será ano eleitoral e quem estiver na presidência não vai perder a oportunidade de utilizar o sucesso da Copa do Mundo como cabo eleitoral de sua candidatura à reeleição.

mockup