Num país de escassez de empregos, é preciso dar toda a força àqueles que, por conta própria, negam-se a apelar para a delinquência e lançam-se aos mais cansativos trabalhos para ganhar o sustento próprio e o de suas famílias. Caso dos catadores de lixo reciclável, que além de obterem renda cooperam no trabalho de limpeza das ruas. Além de ser um trabalho nem sempre higiênico, porque há os que também buscam nos sacos de lixo ademais com o risco de ferir-se em cacos de vidro que donas-de-casa e empregadas domésticas inescrupulosas colocam misturados a tudo há o trabalho pesado de puxar o carrinho por longa distância, e ladeiras acima. Leu-se ontem neste Jornal que, em Curitiba, os carrinheiros (que somam 5 mil) fizeram uma passeata de protesto por causa da concorrência dos caminhões de coleta do programa ''Lixo que não é Lixo'', da Prefeitura. Se não há justificativa para reclamar desse serviço executado pelo poder público, o fato mostra o drama social representado pela escassez de vagas de trabalho e pela necessidade, neste país de indefinições econômicas e de leis e sistemas que inibem o emprego destacadamente a sangria tributária, os encargos sociais sobre a folha de pagamento do pessoal e a inadequada legislação trabalhista. Em Londrina, os catadores, na maioria, estão vinculados a um sistema cooperativo, coordenado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo e que deu um ordenamento ao trabalho dos catadores e os está beneficiando. Um exemplo que Curitiba quer imitar, segundo a Procuradora do Trabalho, Margareth Matos. E já que se chegou a esse ponto o que é um avanço e desvia esses trabalhadores de eventual tentação para o roubo, quando a fome crônica ronda o poder público municipal poderia pensar em uma fórmula de regulamentar esse trabalho (de modo a favorecer os benefícios do tempo de serviço e da aposentadoria) e acionar o Banco do Povo para financiar esses catadores na aquisição de um veículo automotor, para o lugar das geringonças que hoje utilizam. Alguns já usam velhas kombis e carroças puxadas por cavalos (para o transporte desde a rua até o depósito da cooperativa), mas a grande maioria move os carrinhos pela própria força física, o que é desumano demais quando se trata de pessoas idosas. Com o uso de um veículo motorizado o próprio trânsito seria beneficiado (porque os carrinheiros costumam valer-se também da contra-mão, nas descidas), ao tempo em que esses trabalhadores ganhariam mais dignidade. Se já existe um sistema cooperativo que está dando certo e que pode ser adotado em todas as cidades, a criação de um modelo de financiamento para o veículo de transporte complementaria o meritório serviço implantado e o progresso que já se alcançou.

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