Casar é uma decisão séria que muda completamente a vida do casal. Juntar as escovas de dentes não significa somente desfrutar de momentos carinhosos, mas também driblar as incompatibilidades e lidar com uma questão delicada: as finanças.

Manter as contas em dia é um desafio. Muitos casais brigam em função dos problemas financeiros. Para o administrador Gustavo Cerbasi, autor de diversos livros, entre eles ''Casais Inteligentes Enriquecem Juntos'', os desentendimentos resultam da falta de conversa.

Em entrevista à FOLHA, Cerbasi fala sobre a importância de planejar os gastos e assegura: ''O processo de enriquecimento a dois exige união. O dinheiro do casal deve ser visto como um só''.

De qual forma os casais podem enriquecer juntos?
O processo exige união. É preciso reconhecer o processo de crescimento do patrimônio como um projeto do casal e não como a soma de dois projetos individuais. Hoje em dia é muito frequente relacionamentos em que cada um cuida do seu dinheiro. No relacionamento não deve existir quem ganha mais ou menos. A renda do casal deve ser somada independente da quantia que cada um ganha.

E como lidar com as necessidades pessoais de cada um?
Para preservar a liberdade, o casal precisa discutir o valor de uma ''mesada'' que cada um vai receber e gastar como bem entender.

Como evitar as brigas decorrentes das dificuldades financeiras?
As brigas resultam da falta de conversa. Dinheiro ainda é tabu no Brasil. Apesar do assunto ser bastante abordado, as pessoas ainda têm dificuldade de falar sobre dinheiro até o momento em que passa a ser necessário tratar do assunto. Os casais não conversam sobre seus sonhos. Eles dão muito valor à casa, ao plano de saúde, à escola dos filhos, ao carro e esquecem do lazer, prazer e bem-estar. O problema está em não deixar verba para isso.

Os casais sabem investir o dinheiro que têm? O que seria um bom investimento?
O brasileiro, de modo geral, investe mal por falta de informação. Existem incontáveis alternativas de bons investimentos. Dá para enriquecer investindo em imóveis, em uma carteira de ações, montando um negócio próprio. O brasileiro ainda não encara o investimento como algo que mereça atenção.

Qual a importância de planejar os gastos e ter o hábito de esboçar uma planilha?
A pessoa acaba se baseando no seu controle mensal para pensar como vai gastar no próximo mês, evitando desequilíbrios. Planejar é isso. É começar o mês sabendo quanto eu vou gastar e não esperar o fim do mês para ver quanto eu gastei. Se o casal acaba entrando no vermelho com certa frequência deve abandonar o controle mensal e passar a fazer quinzenal ou até semanal.

É impressionante como muitos casais gastam mais do que ganham. Por que isso acontece com tanta frequência?
É a cultura do desprezo dos pequenos valores. O perigo está no fato de as pessoas saberem muito bem o quanto gastam com as contas principais e esquecerem o quanto gastam com as pequenas compras que somam um valor relevante. Às vezes é preciso reduzir o padrão da moradia, do carro, a fim de comportar os pequenos gastos.

O cartão de crédito pode ser utilizado ou o casal deve pagar todas as contas à vista?
O cartão de crédito, quando bem utilizado, é um dos melhores instrumentos de organização pessoal. É a oportunidade de concentrar maior parte dos gastos em um único dia do mês, preferencialmente próximo ao pagamento. Tem que saber usar o cartão e a regra básica para isso é pagar a fatura à vista. Se não tem dinheiro a pessoa deve pedir um empréstimo no banco para pagar em dia, pois os juros embutidos no cartão são os mais altos do mercado.

Como agir diante de opiniões divergentes no momento de uma grande aquisição? Às vezes ele quer um carro e ela uma viagem...
Um relacionamento se fortalece com concessões de ambos os lados. É importante tentar realizar os dois sonhos no menor tempo possível. É importante garantir verbas para que a conquista de todos, inclusive das crianças, aconteça ao longo da vida.

Qual a melhor opção de regime de bens?
Depende. O mais comum é o da comunhão parcial. O brasileiro está casando tarde e quando decide se casar já tem um patrimônio acumulado e dúvidas sobre a solidez do relacionamento. Agora se acontece o casamento de um casal jovem que não tem patrimônio nenhum e as heranças das famílias são equivalentes, o regime de comunhão universal é uma forma de proteger o parceiro em caso de morte, por exemplo.

E qual a melhor opção: conta conjunta ou individual?
Recomendo a conta conjunta. Existem as contas-salário que não permitem que a pessoa escolha o banco que quer receber. Nesses casos, eu recomendo que essas contas sejam transformadas em conjuntas para facilitar as transferências. O dinheiro do casal deve ser visto como um só.

Muitos casais já começam a vida a dois com dívidas do casamento. O que isso pode acarretar ao relacionamento?
Se as dívidas forem por um prazo curto e de forma planejada eu não vejo problema nenhum. Agora se a pessoa não puder pagar e fizer uma festa maior do que deveria ela deve repensar e até vender bens para sanar as dívidas.

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