Finalmente, um protesto de rua
Enfim uma manifestação contra um ato do governo. Fato inusitado. Não aconteceu quando houve escândalos como mensalão, blindagem de Sarney, etc., mas aconteceu no último domingo. Será que a chamada sociedade civil desorganizada está acordando? A notícia diz: Protesto no Rio de Janeiro, contra visita de Ahmadinejad, reúne 2.000.
A mídia, incluindo a impressa, deu algumas informações sobre o fato e muitas informações sobre as declarações de Lula. O protesto - coisa rara nos últimos anos - ganhou menos espaço do que a versão do presidente que está a todo momento em todos os canais de comunicação.
Mas se o leitor e a leitora pensam que o protesto de rua, como esse na praia de Ipanema, está indicando que as pessoas resolveram ser mais críticas, estão enganados. A manifestação contra o presidente do Irã, Ahmadinejad, foi algo assim, meio localizada. Reuniu membros das comunidades judaica e árabe, ativistas religiosos e movimentos homossexuais.
UNE? Sindicatos? De modo algum. Esses não saem da zona de conforto, aliás, que conforto! Caras pintadas? Ah, esses trocaram as cores pelo óleo de peroba.
Pensando bem, não se pode afirmar que um protesto contra o presidente do Irã é algo pertinente. Pelo menos não é prioritário. Trata-se de um chefe de Estado que está chegando e deve ser bem recebido, como qualquer outro. Fiquemos com o lado oficial: ele vem a convite do governo brasileiro. Sem conhecer melhor a sua agenda - e o que será acordado com o Brasil -, qualquer crítica é prematura. Ocorrem coisas piores que justificariam reações (disciplinadas, é claro) mais contundentes. Mas manifestações são livres e sempre produtivas.
Voltando à cobertura do ato de domingo no Rio. A mídia brasileira está muito governista. Exemplo? Quando Lula estave em Curitiba, em setembro, aconteceu uma manifestação que a imprensa da Capital quase ignorou. Alguns veículos disseram que houve pequeno protesto; outros informaram tratar-se de algumas pessoas ligadas aos sindicatos dos bancários e Correios.
Tudo bem que defendiam causas próprias. Mas, na verdade, eram dezenas de pessoas. O estranho é que não é tradição da imprensa brasleira subestimar um ato de protesto; em geral o protesto ganha(va) o destaque merecido. Às vezes, manifestações contra autoridades ou seus atos eram realçadas na tela da TV ou nas páginas dos jornais. O oficialismo tomou conta.





