Uma negociação que vem sendo costurada há 20 anos finalmente é fechada. Mercosul e União Europeia fazem seu primeiro acordo de livre comércio entre os dois blocos. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (28) pelos ministérios da Economia e das Relações Exteriores do Brasil e recebido com alívio por vários setores da economia. Fala-se em um incrimento de US$ 87,5 bilhões de dólares no PIB (Produto Interno Bruto) no período de 15 anos. Considerando a redução das barreiras não-tarifárias e o aumento esperado na produtividade do País, o crescimento pode chegar a US$ 125 bilhões.

É um marco. Pelo lado do Mercosul, é o mais ambicioso acordo fechado pelo bloco sul-americano, que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Pelo lado da União Europeia, é o segundo maior tratado assinado pelos países europeus que formam o bloco, perdendo apenas para o Japão.

As conversas começaram em 1999. Parecia que sairia alguma coisa em 2004, mas ninguém estava satisfeito. Em 2010, as negociações foram relançadas para concluir agora, em junho de 2019. Foram muitas idas e vindas.

O tratado permitirá que a maior parte dos produtos seja, gradualmente, comercializada entre os blocos com tarifa zero. Os europeus eliminarão mais rapidamente as tarifas, mas vão manter cotas de importação em alguns produtos agrícolas. Para o Mercosul, pode levar uma década para que boa parte das alíquotas seja zerada.Serão zeradas tarifas para importantes produtos agrícolas exportados pelo Brasil, como suco de laranja, frutas e café solúvel. As taxas para exportar produtos industriais também serão eliminadas. Haverá ainda cotas para a venda de carnes, açúcar e etanol.

O acerto também vai reconhecer como distintivos do Brasil vários produtos como cachaças, queijos, vinhos e cafés. Pelos novos termos, serão fixadas uma série de regras, padrões e compromissos em diversas áreas, como em propriedade intelectual e meio-ambiente.

O pacto também representa o fim do isolamento do Mercosul e algumas questões ajudaram a costura final. Entre elas, as medidas protecionistas impostas ao bloco europeu pelos Estados Unidos e o discurso pró-abertura de mercado do governo Bolsonaro.

Para o presidente Bolsonaro, é uma boa notícia que vem no momento em que pesquisa do Ibope aponta popularidade em queda. Para a economia brasileira, que voltou a ficar em terreno negativo com recuo do PIB e baixa expansão, representa um grande potencial para investimentos e geração de empregos.

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