A última semana foi tumultuada na cena política brasileira, quando o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, trocaram farpas em frente às lentes dos fotógrafos e cinegrafistas, fazendo tremer o mercado financeiro, sensível a qualquer notícia que represente uma ameaça à Reforma da Previdência. Não foi uma semana fácil, pois veio coroar um clima de “guerra de poderes” que já estava instalado, desde a semana passada em Brasília após divergências entre o mesmo Maia e o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro. Além do confronto entre procuradores da Lava Jato e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, após a mais alta instância do Judiciário decidir que os crimes eleitorais que são conexos aos crimes comuns sejam remetidos à Justiça Eleitoral.

No Senado, uma frente parlamentar também tentou emplacar a “CPI da Lava Toga” para investigar a atuação de juízes e ministros do Supremo, proposta que ainda está engavetada. Houve ainda a prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB) pela Lava Jato.

Os episódios tumultuaram Brasília e marcaram o fechamento dos 100 primeiros dias de gestão de Bolsonaro. O ríspido embate sobre quem deveria fazer a articulação em defesa da Reforma da Previdência alcançou fervura máxima na quarta-feira (27), quando a Bolsa de Valores despencou mais de 3% e o dólar avançou mais de 2%, fechando a quase R$ 4,00, o maior patamar desde outubro do ano passado.

Foi com alívio que o País recebeu a notícia da trégua entre o Planalto e a presidência da Câmara em favor de um bem maior, que é a Reforma da Previdência. O cenário que se desenhava no começo da semana, ameaçando o humor do mercado e o futuro da reforma, não interessa a ninguém.

A paz entre os dois poderes começou a se desenhar na quinta-feira, quando Bolsonaro aproveitou um evento no Clube do Exército, em Brasília, para afirmar que as divergências com Maia haviam passado como uma “chuva de verão”. Maia também adotou o discurso de paz, falando em colocar “o trem nos trilhos” para “caminhar com velocidade”. Articulação política será necessária e o ministro Paulo Guedes, da Fazenda, assumiu a missão junto com Maia. Por fim, o brasileiro espera agora que as divergências deem lugar ao diálogo e a articulação política, tão necessários no desenrolar de um tema da importância da Reforma da Previdência.

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