A pesquisadora da área de geografia urbana e econômica do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Tânia Maria Fresca, avalia que Londrina desacelerou seu ritmo de crescimento econômico, movimento esse que está ligado à diminuição do ritmo de geração de novos postos de trabalho. Ela lembra que esse é um processo nacional mas que repercute mais sensivelmente nas maiores cidades, como Londrina, que deixou de ser atrativa para as populações que migram. Apostando na retomada do crescimento, Tânia diz que o município também tem boas chances de acompanhar essa tendência.
De acordo com ela, o Brasil dos anos 70 registrou taxas de crescimento ascendentes em virtude do intenso incentivo dado pelos governos militares às obras de infra-estrutura e de modernização do interior. Nos anos 80, segundo Tânia, com a retomada do governo democrático, as decisões tomadas no âmbito político não permitiram a continuidade desse crescimento. ''O Estado entrou em um processo de endividamento que repercutiu nos investimentos feitos em infra-estrutura'', detalha.
No início da década de 90, as ''opções equivocadas'' do governo Fernando Collor paralisaram a economia nacional. ''Ele preferiu abrir o mercado interno para a iniciativa privada de maneira predatória. A paridade entre dólar e real agiu contra a economia nacional. Ele (Collor) arreganhou nosso mercado para as corporações internacionais'', avalia a pesquisadora. Os governos posteriores seguiram no mesmo rumo: ''O Fernando Henrique Cardoso continuou a mesma política, privatizando setores industriais importantes (como as siderúrgicas)''.
Agora, a pesquisadora vislumbra possibilidades mais positivas. Ela lembra que nos primeiros dez meses iniciais do governo Lula, os indicativos econômicos já apresentaram melhoras. Na política externa, a indústria nacional tem tido mais respaldo, com a negativa federal de não aceitar imposições dos países ricos.
Mas Tânia alerta que para o País voltar a crescer é preciso disseminar esse cenário também entre os estados e municípios. ''As prefeituras das cidades de médio e grande porte podem dar o pontapé inicial para acelerar o processo'', destaca. Mas como? Para a pesquisadora, uma estratégia possível seria adotar as idéias lançadas pelo economista e professor Ignácio Rangel: conceder serviços públicos (como saneamento básico e transportes por exemplo) para a iniciativa privada, com definição clara de metas e com fiscalização rigorosa. ''Esse processo aciona muitos outros setores da economia'', diz a pesquisadora.
Londrina, nesse contexto, tem boa vantagem competitiva em relação a outros grandes centros. Tânia lembra que o ritmo perdido pelo município na geração de emprego pode ser retomado com o aquecimento dos dois setores mais fortes da economia local: o comércio e a prestação de serviços. L.A.

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