O governo federal decidiu aumentar gradualmente as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos da linha branca (fogões, refrigeradores e tanquinhos) e móveis. Os novos percentuais, válidos desde ontem, vão vigorar até o final deste ano. Apesar dos esforços do setor varejista para manter os índices reduzidos, a avaliação do governo é que a medida não terá impacto muito negativo, devido ao programa público Minha Casa Melhor, que subsidia a compra de eletrodomésticos e móveis para moradores do Minha Casa, Minha Vida.
Agora, a estratégia do governo é contrária à adotada até então. Se o consumo foi o pilar de sustentação do Produto Interno Bruto até o ano passado, neste último trimestre, o objetivo é não estimular o consumo e a inflação. Os preços têm registrado sucessivos aumentos. A inflação em 12 meses está em 6,09%, ainda dentro da meta estipulada – de 4,5% ao ano com margem de dois pontos para cima ou para baixo. Os preços que o governo controla estão com alta de 1,27%, 2,5 pontos percentuais durante o mesmo período do ano passado; os preços livres estão em 7,64%. Alimentos e bebidas estão em alta de 10,45%. Por isso, a análise é que a inflação só não está maior porque o governo tem "segurado" os preços de tarifas públicas.
Se o objetivo é segurar os custos internos, é importante que o governo reveja, urgentemente, sua política econômica. Ontem foi divulgado um outro indicador nada positivo: apesar de ter registrado superavit pelo segundo mês consecutivo, a balança comercial (diferença entre importações e exportações de bens do País) fechou em queda de 15% na comparação com o mesmo mês do ano passado e cravou o menor saldo para o período desde 2010. O resultado contribuiu para um deficit acumulado no ano de US$ 1,6 bilhão, também o pior resultado desde 1998, quando o saldo ficou negativo em US$ 3,6 bilhões.
Se o Brasil está comprando mais do que vende, essa movimentação no longo prazo provoca queda do volume de investimentos no parque industrial e desemprego. Ainda que a valorização do dólar contribua para um saldo mais positivo às exportações, é importante que sejam promovidas mudanças na atual política econômica.

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