Rio - O jornalista Roberto Marinho, falecido na quarta-feira, foi uma das personalidades brasileiras mais importantes do último século. Poderoso como poucos, comandava o maior grupo de comunicação do país, a Rede Globo. Recebia e era recebido por ministros e presidentes da república. Suas emissoras espalhadas por todo o Brasil, garantiam a Marinho poder suficiente para influenciar em eleições, escolher líderes políticos. Entre seus amigos e protegidos, o mais conhecido é o governador da Bahia, Antonio Carlos Magalhães.
Ainda hoje a rede Globo é acusada de ter manipulado a edição do último debate entre o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva e o caçador de marajás, Fernando Collor de Mello, favorecendo a este último, que acabou sendo presidente da República.
Também é histórica sua briga com Leonel Brizola, ex-governador do Rio de Janeiro. Apesar das divergências, Brizola compareceu ao velório de Roberto Marinho.
A viúva de Roberto Marinho, Lily de Carvalho Marinho, não herdará participações nas empresas, segundo garantiram à reportagem executivos do grupo. Quando Roberto e Lily se casaram, há 14 anos, ambos já estavam em idade em que os bens anteriores não seriam divididos. Dois executivos do grupo colocaram em dúvida se, de fato, teria havido casamento oficial. Lily foi miss França e foi casada com Horácio de Carvalho, ex-dono da Mineração Morro Velho e do extinto ''Diário Carioca'' e já era rica quando se casou com o fundador da TV Globo.
Os três herdeiros são filhos do casamento de Roberto Marinho com Stella Goulart, que morreu em 1995.
A Globopar tem sido o principal problema das Organizações Globo e encerrou 2002 com prejuízos de R$ 5,021 bilhões. Em dezembro, a empresa comunicou aos bancos credores que iria interromper o pagamento da dívida e apresentou um projeto de reestruturação financeira em março último. Segundo apurou a reportagem, ''as negociações continuam'', mas não há prazo para a conclusão do processo. A TV Globo, carro-chefe do grupo, com cerca de oito mil funcionários, operou com lucro em 2002 (R$ 220 milhões), mas a sua situação está diretamente ligada à Globopar.
O auditor da Ernst & Young (que audita as contas da TV Globo), observa que a rede de televisão é garantidora de dívidas da Globopar no montante de R$ 4,6 bilhões (R$ 2,9 bilhões em dezembro de 2001) e ''essa empresa (Globopar) está operando com prejuízos e deficiência de capital de giro''.

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