Curitiba - A retirada da linha férrea que corta a área urbana de Curitiba vai transformar a vida de pelo menos 1.500 pessoas que vivem nos municípios de Almirante Tamandaré, Araucária, Campo Largo e Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba. Por um lado, o novo contorno ferroviário atende a um antigo anseio dos moradores de 12 bairros de Curitiba, cansados do barulho e dos acidentes causados pelos trens. Mas, por outro, está preocupando as famílias que terão suas propriedades cortadas pela linha férrea, interferindo em sua qualidade de vida, no meio ambiente e até na produtividade agropecuária.
A construção do contorno está prevista no Programa de Retirada de Trilhos dos Perímetros Urbanos, do Ministério dos Transportes. O novo traçado cortará 186 propriedades, a maioria na área rural. O Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental (Eia/Rima) estão em análise no Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o próximo passo será a marcação de audiência pública com a comunidade afetada. A data para a abertura dos envelopes com as propostas das empresas interessadas em realizar as obras, que seria nesta segunda-feira, foi remarcada para 3 de outubro. Enquanto os trâmites burocráticos não andam, a comunidade afetada pelo novo traçado sofre com a falta de informações oficiais sobre o assunto. O produtor rural, Miguel Spacki, de Campo Largo, diz que ficou sabendo que sua propriedade seria cortada pela ferrovia por causa dos técnicos contratados para fazer o Eia/Rima que ''invadiram'' a área, sem dar qualquer explicação.
O próprio Eia/Rima tem 32 entrevistas feitas com moradores das áreas que serão desapropriadas para a construção da ferrovia, que mostram a angústia gerada pela falta de informações oficiais. Os principais questionamentos da população afetada sobre a probabilidade da construção da linha férrea foram:, a possibilidade de continuarem morando no mesmo local; como ficarão o acesso a suas propriedades e o cálculos das indenizações. Eles também demonstraram preocupação em relação ao barulho, vandalismo e violência que possam chegar a essas regiões, que hoje são bastante tranquilas. Eles temem que a ferrovia interfira na circulação do gado, no escoamento dos riachos e na produtividade das terras. Outra preocupação é que a passagem dos trens cause rachaduras nas casas por causa da trepidação.
O ramal ferroviário Curitiba-Rio Branco do Sul foi contruído em 1908 e ligado ao corredor de exportação Araucária-Paranaguá em 1975. Há mais de 20 anos vêm sendo estudadas alternativas para a retirada da ferrovia da área urbana de Curitiba. O novo trajeto vai multiplicar por cinco a capacidade de escoamento de cal e cimento de Rio Branco do Sul.
Com 43 quilômetros de extensão e custo foi estimado em R$ 81,9 milhões, a maior parte dos recursos virá a fundo perdido do governo federal, dentro do Programa de Retirada de Trilhos dos Perímetros.

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