Fim da ressaca: é segunda-feira
Começa o governo Dilma. As frases de efeito ainda ecoam mas a ressaca da posse e da pompa vai se diluindo. É segunda-feira dia de trabalho, para quem trabalha, como empregado ou patrão. Para os mortais, sem cargos mas cheios de encargos, a gastança da posse, as promessas, tudo já passou. Agora é torcer para o sucesso de Dilma, a presidente de todos os brasileiros. E, como reconhecem unanimemente os analistas, ela vai precisar dessa torcida. Recebe uma máquina administrativa inchada pelo empreguismo e vai ter que administrar as consequências da gastança desenfreada, que dá origem ao déficit primário, um estorvo para quem governa.
Que os brasileiros não comparem Dilma e Lula pelo índice de popularidade. O índice dele é um recorde mundial, um fenômento - como foi dito ontem neste espaço. E, como os grandes astros do esporte, tal popularidade deve ser creditada aos méritos próprios - que, convenhamos, são muitos -, mas boa parte é debita à mídia televisiva, sempre bajuladora, inclinada a realçar as virtudes e escamotear os defeitos.
Dilma vai navegar em outros mares. O governo Lula foi beneficiado por uma estabilidade econômica sem precedentes na história do Brasil, resultado de um plano econômico arquitedado e colocado em pratica pelo governo anterior. (Mérito para sua equipe que o manteve). Mas também bafejado por um quadro de crescimento econômico mundial, em que todos os países emergentes tiveram chance de prosperar como nunca. Dilma terá de enfrentar uma inflação iminente que vem acompanhada da especulação financeira. E terá de contornar todos os efeitos perversos da falta de reformas, como a fiscal e trabalhista.
Dilma tem fibra e vai precisar de muito mais, para enfrentar um cenário diferente daquele de Lula. Apesar do sucesso do PAC, o governo anterior não tinha grandes projetos para o Brasil. Dilma terá de apresentar projetos e muitas ações emergenciais para socorrer uma saúde pública precária, em que muitas crianças e idosos morrem na fila.
Fiquemos com as frases mais emblemática do seu discurso de posse: A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e criação de oportunidades para todos. E Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos, famílias ao desalento nas ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas.





