Fim da passividade?
Não é de hoje o descontentamento dos brasileiros com a política. Sucessivos escandâlos de corrupção, cobrança de propinas, enriquecimento ilícito, prevaricação e elevados gastos públicos. Esses assuntos têm se tornado mais frequentes na mídia e têm contribuído para que os ânimos da população em geral fiquem mais exaltados. Além disso, o País enfrenta uma grave crise econômica. Inflação e desemprego em escalada de alta, aumento de impostos e deterioração da economia corroboram para tornar o ambiente ainda mais hostil.
Em um quadro como esse, é natural que a população cobre mais dos políticos. Uma mobilização popular conseguiu reduzir o salário do prefeito e dos vereadores de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro) para R$ 12 mil e R$ 970, respectivamente. Já em Jacarezinho, um projeto de lei de iniciativa popular também pede a redução dos vencimentos dos parlamentares para um salário mínimo. Em Londrina teve início um movimento nas redes sociais para pedir a redução dos ganhos dos vereadores.
Essas iniciativas são importantes porque podem indicar que os brasileiros estão abandonando a letargia, a passividade e que não vão mais aceitar desmandos. Essas manifestações são importantes porque mostram uma cobrança e um acompanhamento maior dos atos políticos. O amadurecimento da democracia e da sociedade como um todo passam por processos como esses e são extremamente positivos.
No entanto, como afirmaram especialistas à FOLHA, é importante que os salários não sejam reduzidos demasiadamente, o que poderá abrir um caminho maior à corrupção, uma vez que doadores de campanhas podem passar a sustentar esses vereadores, o que seria uma situação muito pior. Talvez seria interessante que a população se mobilizasse para reduzir o número de cadeiras nas Câmaras de Vereadores. Desta forma, os gastos com a estrutura seriam muito menores. Alguns municípios já conseguiram esse feito, que trará resultados significativos.
No entanto, o mais importante disso tudo é que os políticos sabem que agora a população está mais vigilante e acompanhando os atos públicos.





