Passado o Carnaval parece que o Brasil volta a cair na realidade e, finalmente, 2012 começa de fato para a classe política. Mas não há muito o que comemorar, infelizmente. Como estamos em ano eleitoral - em outubro teremos o pleito municipal - pode-se prever leva de deputados estaduais, federais, senadores e, claro, governadores movimentando estradas e aeroportos para apoiar correligionários ou mesmo para dar vazão à própria campanha. O que, com certeza, irá prejudicar debates importantes sobre projetos e mudanças tão aguardadas pela sociedade brasileira, como a reforma tributária e o novo Código Penal - assunto tratado ontem neste espaço.
A farra do recesso no Legislativo brasileiro se repete anualmente. No entanto, não se vê nenhuma mobilização para mudar esse cenário. Este ano, por exemplo, desde o dia 16 o Congresso ficou praticamente às moscas. Nossos nobres deputados e senadores parecem que nada tinham de importante a debater. Simplesmente voaram para suas bases eleitorais ou aproveitaram para curtir o Carnaval junto aos familiares em alguma praia ou mesmo caiu no samba. Na semana passada, ainda era pequeno o movimento de parlamentares em Brasília. Somente a partir de hoje é que os trabalhos devem entrar em seu curso normal. Mas tal normalidade é bem distante da realidade da maioria dos trabalhadores do País. Na Capital Federal, a semana começa hoje e acaba na quinta-feira quando ocorre nova ''revoada'' de políticos para os Estados.
Estrategicamente no período carnavalesco as sessões de votações foram suspensas. Os congressistas (450 dos 513 deputados e 64 dos 81 senadores presentes na sessão do dia 16) registraram presença para garantir o recebimento de seus proventos. E depois de todo o recesso gozado entre dezembro e janeiro, nossos parlamentares tiveram direito a 13 dias de folga - claro, remunerada. Daí, não surpreende as pesquisas que apontam a classe política cada vez mais desacreditada.
É preciso que a sociedade se mobilize para cobrar mais seriedade e trabalho dos congressistas. Se parte do país para em fevereiro, quem tem o dever de fiscalizar o Executivo e de elaborar e reformar leis não pode se dar ao luxo de também cair na folia. O Brasil só se tornará, de fato, um grande país quando atender e garantir os direitos básicos de seu povo. Para isso, é necessário mais empenho e comprometimento da classe política.

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