Fim da espera pelo júri do caso Eduarda
Menina tinha 11 anos quando foi assassinada em Rolândia. Após quatro adiamentos, julgamento é marcado para 20 de maio
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quarta-feira, 19 de março de 2025
Menina tinha 11 anos quando foi assassinada em Rolândia. Após quatro adiamentos, julgamento é marcado para 20 de maio
Folha de Londrina 
Seis anos após o crime, devem sentar no banco dos réus o pai e a avó de Eduarda Shigematsu, criança assassinada por estrangulamento no município de Rolândia, no dia 24 abril de 2019. A data do julgamento, em 20 de maio de 2025, foi definida pelo Tribunal do Júri da Comarca de Maringá (Noroeste).
A definição da data ocorre após diversas discordâncias sobre o local de julgamento, inicialmente repassado de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) - onde o crime foi consumado - para Londrina e, em seguida, para Maringá. A defesa dos réus pediu o desaforamento sob justificativa de que o júri na região de Londrina poderia ser influenciado pela comoção causada pela morte da menina.
Eduarda Shigematsu tinha 11 anos quando foi assassinada. De acordo com o Ministério Público do Paraná, Ricardo Seidi teria atacado a filha em casa, por volta do meio-dia de 24 de abril de 2019. As gravações das câmeras de segurança da residência foram desligadas antes do crime e reativadas após a morte.
O corpo de Eduarda foi levado à chácara da família em um Volkswagen Gol e enterrado em um buraco. De acordo com o MPPR, o pai e a avó registraram um boletim de desaparecimento, mesmo sabendo da morte da menina.
Com a denúncia do MPPR acatada, Ricardo Seidi teve a prisão convertida em preventiva. A avó da vítima. Terezinha Guinaia, inicialmente, foi impronunciada - ou seja, liberada do julgamento do Júri -, mas depois foi incluída pelo TJPR (Tribunal de Justiça do Paraná) nos crimes de falsidade ideológica - pelo falso boletim de ocorrência - e ocultação de cadáver.
O corpo de Eduarda foi encontrado pela Polícia Civil três dias após o anúncio do desaparecimento, feito em 24 de abril de 2019.
Jéssica Pires, a mãe da vítima, teve um relacionamento de quatro anos com o acusado, resultando no nascimento da menina. Ela estava em São Paulo (SP) quando o crime ocorreu. A avó tinha a guarda da menina.
O júri do caso Eduarda já foi marcado e cancelado quatro vezes. O primeiro aconteceria em 24 de março de 2022, mas foi adiado porque uma das testemunhas não havia sido intimida. O segundo, no dia 26 de maio do mesmo ano, foi adiado após pedido de reconstituição dos fatos requerido pela defesa de Ricardo Seidi.
Os outros dois julgamentos, de março de 2023 e março de 2024, foram adiados porque a defesa de Seidi pediu o desaforamento.
Uma das principais questões em relação ao funcionamento do Sistema de Justiça do Brasil é quanto à demora no andamento e conclusão dos processos. Quando nos deparamos com o período de seis anos desde o crime e os quatro cancelamentos na data do julgamento, impossível não questionar o período de espera.
O assassinato de Eduarda Shigematsu chocou o município de Rolândia e a sociedade aguarda por respostas para um crime que colocou fim à vida de uma menina de 11 anos. Infelizmente, no Brasil, a violência contra crianças e adolescentes é muito comum e muitas vezes acontece no local onde elas deveriam estar mais protegidas: a própria casa.
Não cabe aqui um julgamento prévio, já que esse é o papel da Justiça. Mas compete à sociedade e à imprensa cobrar celeridade e manter-se vigilante para realização da sessão do júri marcada para 20 de maio, depois de tantos adiamentos.
E cabe ao poder público analisar essa tragédia, entender as suas complexidades para desenhar políticas públicas que possam ajudar a prevenir casos de violência contra crianças, como a que vitimou Eduarda Shigematsu.
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