''No meu governo a polícia vai atirar primeiro''. Seria um bom título para um filme onde a polícia de uma cidade, tomada por gangsters, precisasse reagir à moda da Chicago do início do século passado. Quem sabe no roteiro poderiam ser incluídas cenas de tiroteio, perseguições, sangue de catchup. Para quem gosta, numa sala de cinema, pode ser até uma boa diversão. Na vida real, onde Clint Eastwood é apenas um cidadão comum e Al Pacino também faz comédias, um candidato ao governo do Paraná disparar uma frase assim: ''No meu governo a polícia vai atirar primeiro'' é, no mínimo, preocupante.
A frase foi dita pelo senador e candidato ao governo Alvaro Dias. Depois de perceber que tinha ido longe demais, justificou-se: ''é só uma forma de mostrar que seremos firmes''. Pode até ser.
Se violência acabasse com a violência, a cidade do Rio de Janeiro seria a cidade mais segura do Brasil. Não é o que acontece. Muito pelo contrário. A ação violenta provoca uma reação mais violenta ainda e assim por diante.
Essa medida, caso adotada, só beneficiaria as funerárias que teriam mais caixões para vender e, talvez, alguns floristas que preparam coroas de flores. E, com certeza, não é essa a geração de empregos que se espera de um governo.
Não foi com violência que os países desenvolvidos conseguiram resolver seus problemas sociais. O caminho ideal são políticas públicas que beneficiem a população. Escola, sa© úde, emprego reduzem mais a violência do que as balas dos revólveres.
Cláudio Osti

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