Filho de peixe, peixinho é?
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domingo, 28 de setembro de 2008
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Diferente da maioria dos jovens brasileiros, para alguns poucos iluminados o ingresso no mercado de trabalho segue curso natural e, às vezes, involuntário: assumir os negócios da família. O resultado disso pode ser satisfação profissional ou frustração para quem abandona as próprias vocações e sonhos e se enterra na empresa herdada dos familiares.
Priscila Fleischfresser Costa, 35 anos, encaixa-se no primeiro grupo: considera-se realizada com sua escolha profissional. Formada em comércio exterior, assumiu, há dois anos, junto da prima, a administradora Simone Kovelhuk, o gerenciamento da Michelângelo Mármores e Granitos, em Curitiba.
Priscila é responsável pela parte de exportações e Simone administra as vendas no mercado interno, com o aval dos pais Paulo e Lincoln Frelischfresser, fundadores da empresa, na década de 1990. Ambos continuam no negócio, mas preferiram passar a liderança para as filhas.
Sempre tive vontade de trabalhar na empresa da família. Cresci ouvindo meu pai falar dos negócios em casa e isso aguçava muito minha curiosidade e interesse pela empresa, lembrou Priscila.
Segundo ela, quando o empreendimento foi aberto, o ramo de rochas ornamentais era pouco explorado e precisava de profissionalização. A escolha pelas formações em comércio exterior e administração de empresas acabou caindo como uma luva para as necessidades da empresa.
As primas começaram a cursar as faculdades, simultaneamente, com o ingresso no mundo dos negócios, aos 18 anos. Além da vantagem de já ter uma colocação garantida, Priscila diz que a possibilidade de conciliar o conhecimento acadêmico com a prática foi muito importante para seu amadurecimento profissional.
Novos rumos
A história de Renan Pinheiro Garcia é um pouco diferente. Aos 16 anos, começou a se interessar pelos negócios da família. Ajudava a cuidar da panificadora, principalmente nos fins de semana, quando era mais fácil conciliar o trabalho com os estudos.
A aproximação foi meio institiva, sem pressão ou imposição dos pais, garantiu o rapaz que, hoje, aos 20 anos, continua trabalhando na empresa da família, com salário fixo, mas já sabe que seu futuro profissional é outro.
Já havia sido assim com o pai, José Roberto Garcia, 48, que desde adolescente começou a ajudar no empório da família, em Primeiro de Maio (61 km ao norte de Londrina). Desde então, não se separou mais do negócio iniciado pelo patriarca José Garcia Oliveira, 79, que também continua na ativa.
Diferente de Renan, José Roberto diz que até prestou vestibular para agronomia, mas acabou se tornando um comerciante convicto. Está há 16 anos em Curitiba, onde administra três panificadoras.
Renan Garcia cursa o quarto período de engenharia química na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Ele diz que pretende seguir carreira na profissão que escolheu, atuando na área de gestão ambiental.
Mesmo reconhecendo as facilidades de trabalhar junto dos familiares, assegurou que não irá abandonar o plano de se tornar engenheiro químico. Acho que dá para conciliar com os negócios da família, avaliou.


