Filas, prateleiras vazias e incertezas
A liminar que determinou na noite de segunda-feira (28) a liberação do pool de combustíveis de Londrina para livre abastecimento não foi suficiente para tranquilizar os motoristas que esperam há uma semana para colocar combustível no tanque do carro. Pela manhã, houve muita confusão em frente ao pool, que ficou bloqueado não mais por caminhoneiros, mas por um grupo que não tinha vínculo com o movimento. Novamente, o oportunismo, o lado perverso dessa greve, nítido nas pessoas que pegaram carona nas reivindicações dos caminhoneiros para tumultuar, prejudicar a população e subir os preços de muitos produtos. Enquanto o abastecimento começava a se normalizar em várias cidades desde a noite de segunda-feira, em Londrina, os caminhões começaram a deixar o pool em direção aos postos na tarde de terça-feira (29). As gigantes filas nos postos começaram a se formar na noite de segunda-feira.
Para coibir a ação de oportunistas, o Ministério Público do Paraná e o Procon estadual saíram na frente. No sentido de evitar alta abusiva nos preços de produtos nos supermercados, expediram recomendação às empresas que formam a Associação Paranaense de Supermercados para que mantenham os preços de itens essenciais iguais aos praticados antes da paralisação. Entre esses produtos essenciais temos feijão, arroz, óleo de soja, macarrão, leite, ovos e fubá. A recomendação também trata de eventuais limitações quantitativas ou qualitativas desses produtos, para que sejam praticadas com critérios prévios e ampla divulgação.
Ainda é grande a preocupação no setor produtivo e na manutenção de serviços básicos. Agora, é preciso atenção às consequências que virão com o desabastecimento. O reajuste de preços em alguns produtos parece inevitável e pode chegar a longo prazo. Foram muitas as indústrias que pararam a produção e mandaram funcionários ficar em casa. Entre os produtores de aves e suínos, a situação ficou desesperadora, com agroindústrias paradas, falta de ração, cooperativas sem receber matéria-prima e animais sendo submetidos ao abate sanitário.
Quanto ao abastecimento dos combustíveis, a Agência Nacional do Petróleo estima até sete dias para normalizar a venda dos produtos em todo o País. Esse prazo leva em conta que ainda há resistência dos manifestantes em algumas regiões. Em resumo, no nono dia de paralisação, o Brasil continua com filas nos postos, prateleiras vazias e incertezas.





